Investimento conservador também tem risco? Veja o que pode estar escondido na carteira

Investimento conservador também tem risco? Veja o que pode estar escondido na carteira
Rodrigo Sgavioli, head de Alocação da XP.

Prazo e objetivo ajudam a definir o que é segurança em uma carteira de investimentos

Evitar grandes oscilações é uma das principais preocupações de quem se considera um investidor conservador, mas uma carteira que varia pouco não está necessariamente livre de riscos. Dependendo do objetivo e do prazo do investimento, priorizar apenas a estabilidade pode até aumentar a chance de o patrimônio não cumprir a função para a qual foi construído.

Para Rodrigo Sgavioli, head de Alocação da XP, o risco de um investimento não deve ser avaliado apenas pelo quanto ele oscila. É preciso considerar também para que aquele dinheiro será usado, quando será necessário e se a estratégia adotada é compatível com esse objetivo.

Portfólios muito conservadores podem incorrer no risco de não tomar risco suficiente. A função da alocação diversificada, portanto, não é eliminar todos os riscos, mas selecionar os riscos necessários e remunerados para elevar a probabilidade de atingir os objetivos com disciplina e controle.

“Volatilidade é uma dimensão importante do risco, mas não é a única. Para o investidor, muitas vezes o risco mais relevante é não conseguir cumprir o objetivo para o qual aquele patrimônio foi construído. Isso pode acontecer porque o dinheiro perdeu poder de compra, porque o retorno ficou abaixo do necessário ou porque o investidor precisou dos recursos antes do previsto”, diz Sgavioli.

No estudo “Repensando o ativo sem risco”, publicado neste ano, a XP simulou um cenário em que uma investidora precisava acumular recursos para pagar a faculdade do filho em cinco anos. Foram comparadas uma aplicação atrelada ao CDI e um título indexado à inflação com prazo semelhante ao da despesa. Na maior parte dos cenários, o valor acumulado no CDI não foi suficiente para cobrir o custo da faculdade.

Riscos se diferenciam

O exemplo explica por que a definição de segurança muda de acordo com a finalidade do dinheiro. Uma pessoa que está formando uma reserva para emergências, outra que pretende comprar um imóvel em alguns anos e uma terceira que investe pensando em se aposentar podem ter posturas conservadoras. Ainda assim, cada uma estará exposta a riscos diferentes.

Para quem precisará dos recursos em pouco tempo, disponibilidade e estabilidade podem ter peso maior. Já em metas mais longas, outros fatores ganham importância, como a preservação do poder de compra. Isso não significa que investimentos com maior oscilação sejam automaticamente melhores para horizontes longos. O ponto é que a análise de risco precisa partir do objetivo e não terminar na avaliação de cada produto isoladamente. O risco também depende de como os ativos se combinam.

Um segundo estudo da XP, “Da teoria à carteira”, mostra que um ativo pode parecer pouco atraente quando analisado sozinho e, ainda assim, exercer uma função importante no portfólio ao reduzir volatilidade, oferecer proteção em determinados cenários ou compensar movimentos de outros investimentos.

“Quando olhamos um investimento isoladamente, podemos chegar a uma conclusão diferente daquela que teríamos olhando para a carteira como um todo. Cada ativo pode cumprir uma função diferente. Por isso, segurança não deveria ser medida apenas pela oscilação individual de um produto, mas pela capacidade da combinação de investimentos de atender aos objetivos do investidor”, diz Sgavioli.

Outro exemplo: imagine um investidor que precisa de retorno real de 6% ao ano para acumular o capital necessário para a aposentadoria. Se, para evitar volatilidade, aplicar 100% dos recursos em um título público de baixíssimo risco que renda apenas 4% ao ano, terá escolhido uma alternativa mais estável, mas insuficiente para atingir a meta.

“Uma carteira desenhada para o curto prazo normalmente dá mais peso à liquidez e à estabilidade. Essas características são importantes quando o dinheiro será usado em breve, mas podem ser insuficientes para um objetivo de cinco, dez ou vinte anos. Em horizontes mais longos, o investidor também precisa olhar para a preservação do poder de compra e para o retorno necessário para chegar à meta. Ao tentar eliminar toda a oscilação no caminho, ele pode acabar aumentando justamente o risco de não alcançar o objetivo no futuro.”

Crédito da foto: Vivian Koblinsky

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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