Seminário discute rastreabilidade de frutas, legumes e verduras
O II Seminário da Região Sul do Programa de Análise de Resíduos Agrotóxicos em Alimentos (Para) reuniu em Curitiba representantes de diversos órgãos e entidades ligadas à defesa do consumidor e ao comércio de frutas, legumes e verduras. Autoridades da Vigilância Sanitária, Defesa Agropecuária e Ministério Público, além de representantes de associações de supermercados de todo o Sul do país participaram do evento para discutir especialmente questões ligadas à rastreabilidade – conhecimento e documentação da procedência dos produtos disponibilizados ao consumo. O Seminário aconteceu nesta terça (21) e quarta-feira (22) e reuniu cerca de 250 pessoas.
O segundo dia do evento foi marcado pela apresentação das experiências desenvolvidas pelos supermercados em todo o país no sentido de levar ao consumidor produtos de qualidade e com procedência conhecida. A Associacão Brasileira de Supermercados (Abras) trouxe para o evento a experiência do programa Rastreamento e Monitoramento de Agrotóxicos (Rama). O programa vem sendo implantado em diversas regiões do país, em fase experimental. Dirigentes das associações dos três estados do Sul também apresentaram suas experiências: Apras (Paraná), Acats (Santa Catarina) e Agas (Rio Grande do Sul).
O superintendente da Apras, Valmor Rovaris, destacou em sua apresentação o quanto o assunto vem sendo analisado, debatido e questionado no setor nos últimos anos – desde 2002 foram quase 60 reuniões oficiais. Toda essa discussão já trouxe resultados importantes, como a consolidação do rastreamento de 100% dos produtos vegetais disponibilizados nos supermercados (50% é rastreado em todo o processo e 50% somente até o distribuidor). No entanto, a preocupação é com o fato de que mais da metade das frutas, verduras e legumes consumidos não é comprada em supermercados, mas sim em quitandas, sacolões e comércios informais, onde o rastreamento é mais difícil.
Rovaris defendeu a chamada amostra fiscal como forma de se evitar punir de forma desproporcional ou injusta produtores rurais, supermercadistas ou funcionários de supermercados. Com a amostra fiscal, a tendência é de maior fiscalização, mas também de ponderação de todos os envolvidos no processo. Segundo o superintendente, a modernização das Ceasas, com o projeto que está em andamento no Paraná, poderá representar ganhos significativos para melhora da qualidade dos produtos e para o melhor conhecimento da procedência, facilitando a rastreabilidade. Rovaris também destacou a importância do rastreamento como diferencial para produtores rurais, distribuidores e supermercados, já que todos tendem a ganhar com isso, desde os consumidores até os responsáveis por cada elo de toda a cadeia, da produção à venda de frutas, verduras e legumes. Exemplo disso são os produtos orgânicos, que, mesmo chegando aos supermercados com preços mais altos, têm público fiel e consumidores engajados nas causas da melhora da qualidade de vida.








