Queda na produção industrial reflete baixa nos volumes de negócios para exportação
Os fabricantes brasileiros reduziram a sua produção em julho, refletindo a baixa nos volumes de negócios para exportação e no total de novos pedidos. Consequentemente, o PMI caiu atingindo um recorde de baixa de 13 meses, e indicou que a economia industrial do país deteriorou-se, pela primeira vez desde setembro de 2012. Segundo os relatos, a desvalorização do real resultou em preços mais altos pagos por insumos, com a taxa de inflação de custos se acelerando e atingindo o seu ponto mais rápido em mais de três anos. A inflação de preços cobrados também aumentou para o valor mais acentuado em cinco anos.
Depois de ajustado para variações sazonais, o Índice Gerente de Compras – HSBC, Brasil (PMI) caiu para a sua leitura mais baixa em 13 meses, divulgando 48.5 em julho, abaixo do valor de 50.4 registrados no mês anterior. A leitura mais recente indicou a primeira deterioração nas condições operacionais do setor industrial em todo o país desde setembro de 2012. Quatro dos cinco subíndices do PMI influenciaram esta queda, com a exceção dos prazos de entrega dos fornecedores.
A produção no setor industrial brasileiro se contraiu em julho, encerrando uma sequência de expansão de dez meses. Os dados do setor indicam uma produção inferior em ambas as áreas de bens intermediários e de bens de investimento, ao passo que foi registrado um aumento no subsetor de bens de consumo. Uma demanda mais fraca proveniente dos clientes nacionais e estrangeiros resultou num declínio sólido do volume de novos negócios recebidos, o maior desde outubro de 2011. Os negócios para exportação se contraíram pelo quarto mês consecutivo, em meio a evidências de quedas de pedidos dos clientes argentinos e europeus.
Confrontados com um número menor de projetos, os fabricantes reduziram suas forças de trabalho ainda mais em julho. Além disso, a taxa de corte de empregos se acelerou, atingindo o seu ponto mais rápido em um ano. Ao mesmo tempo, foram registradas evidências de capacidade ociosa, com os níveis de negócios inacabados caindo pelo quinto mês consecutivo em julho. O ritmo de redução de pedidos em atraso foi, no entanto, apenas modesto e quase inalterado em relação a junho.
As pressões inflacionárias persistiram em julho, com os custos de insumos crescendo pela taxa mais rápida em mais de três anos, e com os preços cobrados aumentando pela taxa mais forte desde julho de 2008. Os fabricantes comentaram que a depreciação do real levou ao aumento dos preços pagos por matérias-primas importadas.
Na tentativa de reduzir os custos de gestão, os fabricantes reduziram seus estoques em julho. Mas, tanto os estoques de pré-produção quanto os de produtos finais foram reduzidos por taxas modestas.
A quantidade de insumos comprados pelos fabricantes brasileiros caiu em julho. Os entrevistados que relataram uma quantidade menor de compras indicaram que isto foi devido ao declínio de volume de novos pedidos. Mesmo assim, o desempenho dos fornecedores deteriorou-se ainda mais no período mais recente da pesquisa, com evidências sugerindo que os prazos de entrega foram afetados pelos protestos.
Para Andre Loes, economista do Grupo no HSBC no Brasil, a perda de ímpeto da economia observada nos últimos meses evoluiu para o enfraquecimento das condições econômicas em julho, com implicações negativas para os próximos trimestres.








