Quase a metade da população brasileira não tem plano de saúde
Uma pesquisa de opinião encomendada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) mostra que os planos têm virado artigo de luxo: entre os que conseguem pagar pelo item, a maioria tem renda superior a três salários mínimos, grande parte deles pertencentes à classe B. Além disso, ao contrário do perfil mostrado pelos que não possuem vínculo com operadoras de saúde, a maior parte dos que têm o convênio são trabalhadores com carteira assinada.
A pesquisa, que levantou dados sobre a fidelização dos beneficiários às operadoras, leva em consideração apenas os planos médico-hospitalares — um universo de cerca de 44 milhões de beneficiários — e desconsidera os exclusivamente odontológicos. Foram entrevistadas 3.233 pessoas em todo o país e dessas 1.656, ou 49,8%, não são beneficiárias de convênios médicos.
A parcela dos entrevistados que ficam de fora dos convênios culpam os preços altos. Para 77%, os valores cobrados pelas operadoras vão além do que o orçamento permite. Não fossem os preços, a grande maioria faria, sim, questão de um plano de saúde. Mais de 70% da amostra que afirmou não possuir o item valoriza o serviço e gostaria de tê-lo. Além disso, o levantamento mostra que, para os entrevistados de forma geral, os convênios aparecem em terceiro lugar na lista de prioridades, atrás apenas de educação e casa própria.
Já um estudo do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) mostra que em três décadas as mensalidades dos planos devem sofrer um aumento médio de 163,5% acima da inflação, caso o setor siga o comportamento dos últimos 10 anos. Com isso, o comprometimento da renda dos beneficiários aumentaria 66%.








