Indústria e academia debatem fortalecimento de pesquisa aplicada

Investimento em pesquisa e em formação de profissionais: esses são, segundo Álvaro Prata, secretário de Inovação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), os principais fatores que podem impulsionar a competitividade do país. O secretário participou do “Workshop Sistema Indústria e Instituições de Ciência e Tecnologia: Referências e Instrumentos Legais para o Fortalecimento da Pesquisa Industrial Aplicada”, promovido pelo Sistema Fiep, por meio do Senai, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Fundação Araucária.

Prata ainda explicou que um dos maiores desafios é que, no Brasil, se produz muito conhecimento, mas que não é revertido em benefícios econômicos. “Sabemos gerar conhecimento, mas não sabemos transformá-lo em riqueza. Ainda existe pouca inovação em muitos setores industriais. E inovação se faz na indústria, com gente qualificada e motivada”, defende o secretário. Segundo ele, um dos pontos que pode reverter esse quadro é estimular a transferência de talentos das universidades para as indústrias. “Há vida virtuosa fora dos muros acadêmicos. Nossos bons alunos não são estimulados a trabalhar na indústria, mas sim, a ficar na universidade. É preciso caminhar para que a fronteira que separa a academia e a indústria torne-se cada vez mais tênue, a ponto de não percebermos mais quando estamos em um ambiente ou outro”, conclui.

Destinado às lideranças, assessores jurídicos e pesquisadores das universidades e demais instituições de pesquisa do Estado, o evento teve como objetivo promover o compartilhamento de boas práticas para a dinamização de projetos de pesquisa entre empresas e instituições de ciência e tecnologia. O vice-presidente da Fiep e coordenador do Conselho Temático de Política Industrial, Inovação e Design, Rodrigo Martins, destacou a importância do trabalho realizado pelo Sistema Fiep para incentivar esse relacionamento. “A Fiep trabalha não só para criar um ambiente de relacionamento entre a indústria e as universidades, mas sim, para integrar essas instituições de forma perene e consolidada”, argumentou Martins. “Não há como incentivar o desenvolvimento da competitividade do país sem integrar e dinamizar esses dois campos. Precisamos de sinergia para utilizar, da melhor maneira possível, os ativos que cada um dos lados têm disponíveis”, finalizou o vice-presidente.
O papel do Sistema Fiep como dinamizador dessa relação também foi ressaltado pelo reitor da UFPR, Zaki Akel. “A Fiep ocupa papel de protagonista no incentivo da parceria entre a indústria e a academia, é um dos atores mais atuantes. As grandes universidades do Estado também estão engajadas para trazer a pesquisa para dentro da indústria e vice-versa. Hoje estamos aqui na casa da indústria, e quando o empresário perder o medo de entrar na academia, ambos os lados terão muito a ganhar”, disse.

Durante o encontro, Markus Will, do Fraunhofer-Institute for Production Systems and Design Technology (IPK), apresentou as boas práticas do instituto para viabilização de pesquisas aplicadas entre academia e empresas. Will ainda demonstrou de que forma é estruturado o Fraunhofer, como acontece a relação universidade e instituições de pesquisa na Alemanha, e a parceria com o Senai para implantação dos Institutos Senai de Inovação (ISIs). Segundo Alberto Pavim, especialista em Desenvolvimento Industrial do Departamento Nacional do Senai, até 2015, serão implantados 25 institutos de inovação em todo o país.

O primeiro instituto inaugurado foi o paranaense, em setembro, com foco na pesquisa aplicada em Eletroquímica. A estratégia de implementação espelha-se no modelo utilizado pelo Fraunhofer e nos objetos dos próprios ISIs, de aumentar a competitividade e desenvolver a inovação do país, oferecendo para as indústrias além da qualificação de mão de obra, serviço prestado pelo Senai no Paraná há 70 anos, suporte para pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias.

Os participantes também puderam conhecer as boas práticas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), além da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais e do Código Nacional de CT&I em tramitação no Congresso Nacional. Ao final, os presentes escolheram três temas para serem debatidos: a melhoria das regras para o compartilhamento de infraestrutura física e equipamentos; das políticas internas e instrumentos legais e administrativos visando à dinamização de projetos, e a da distribuição de propriedade intelectual em projetos de pesquisa aplicada desenvolvida em parceria entre indústria e instituições de ciência e tecnologia. Em grupo, os participantes elaboraram proposições de estratégias evolutivas nos âmbitos estadual e nacional para estes temas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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