Diferenças salariais entre homens e mulheres ainda persistem no Brasil

Em razão das conquistas das últimas décadas no mercado de trabalho, as mulheres têm motivos para celebrar mais um Dia Internacional da Mulher, entretanto, elas continuam a receber, em média, salários menores se comparados aos dos homens. Em 2012, elas receberam quase R$ 73, em média, para cada R$ 100 recebidos pelos homens, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).

É interessante notar que, mesmo em funções tradicionalmente identificadas como “femininas”, as mulheres apresentam menor salário médio que o dos homens. “É o caso, por exemplo, do segmento da educação, da saúde e dos serviços sociais”, explica a professora Daniela Verzola Vaz, do curso de Ciências Econômicas da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios da Universidade Federal de São Paulo (EPPEN/Unifesp).

Atualmente, no Brasil, as mulheres representam 43,4% das pessoas economicamente ativas, isto é, aquelas que trabalham ou procuram emprego, de acordo com a PNAD de 2012. Apesar disso, elas são a maioria dos desempregados: 57,8%. “Esse fato chama a atenção, pois elas são, em média, mais escolarizadas que os homens, apresentando uma média de anos de estudo formal concluído de 7,7 anos, contra 7,3 anos dos homens”, revela a professora, que pesquisa as diferenças salariais entre os gêneros.

No entanto, um dado pesquisado por Daniela contrasta essa realidade: na administração pública federal, as mulheres recebem, em média, mais que os homens. Esse segmento, porém, representa 7,3% de todo o setor público brasileiro e nele as mulheres perfazem apenas 28,6% dos servidores, segundo dados da PNAD de 2012. “Trata-se, assim, de uma quantidade pequena de servidoras que, em média, apresentam maiores salários que os dos homens”, conclui.

Nesse setor, segundo ela, tem havido um avanço gradual da presença feminina nos escalões superiores das organizações. “Entre os secretários de órgãos finalísticos, dirigentes de autarquias e fundações e subsecretários de órgãos da Presidência da República, as mulheres representavam 14,4% dos servidores em novembro de 1997, passando a aproximadamente 20% em outubro de 2013, dado mais recente disponível.”

O ingresso acentuado das mulheres no mercado de trabalho se deu a partir dos anos 70 no Brasil. Foram vários os fatores que contribuíram para isso: a queda da fecundidade, o que reduziu o número de filhos por mulher, liberando-as para o trabalho; as transformações nos padrões de comportamento, estimuladas pela urbanização e também pelo movimento feminista; a expansão da escolaridade e o acesso das mulheres às universidades, entre outros.

Em relação a esse último aspecto, é preciso ressaltar que o ingresso em grande escala das mulheres na educação superior tornou-se uma realidade apenas com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1961, que equiparou a escola normal aos demais cursos de segundo grau, permitindo aos indivíduos que faziam o magistério — a grande maioria das mulheres — disputarem o vestibular. “A partir desse momento, a presença feminina nas carreiras superiores tornou-se crescente, permitindo a gradual eliminação do hiato educacional entre os gêneros”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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