Taxa de ocupação da Geração 60+ atinge recorde em 10 anos

25% dos brasileiros com 60 anos ou mais estão ocupados
A quantidade de brasileiros 60+ (Geração Prateada) ocupados aumentou de 5,7 milhões para 8,7 milhões em dez anos, o que representa um salto de 53% . O percentual de trabalhadores 60+ cresce em ritmo mais acelerado do que a própria população dessa faixa etária, que subiu 37% no mesmo período.
Mais da metade dos trabalhadores 60+ estão na informalidade
Apesar do aumento na taxa de ocupação entre os brasileiros 60+ nos últimos dez anos, o cenário não se traduz necessariamente em um mercado cheio de boas oportunidades. Os dados do levantamento da Nexus indicam que a formalização e a qualidade dos vínculos não acompanham o aumento na quantidade de mão de obra nessa faixa etária.
Mais da metade (53%) dos ocupados com 60 anos ou mais atuam na informalidade: sem carteira assinada, como autônomos, fazendo bicos ou consultorias sem contrato. O percentual é superior à média geral do país, que flutuou em torno de 40% nos últimos 10 anos, chegando a 38% no ano passado. Significa dizer que a informalidade entre os trabalhadores com 60 anos ou mais é quase 1,5 vez maior do que na média .
“A diferença entre o crescimento da população 60+ e a expansão ainda mais acelerada da ocupação nessa faixa etária mostra que estamos diante de uma mudança relevante no mercado de trabalho brasileiro. O aumento da longevidade ajuda a explicar parte desse movimento, mas os dados indicam que a permanência dos idosos na atividade econômica está associada também a fatores como a necessidade de complementar renda, as transformações nas regras de aposentadoria e o maior custo de vida”, afirma o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.
“O fato de a taxa de ocupação atingir o maior patamar da última década reforça que os brasileiros estão trabalhando por mais tempo. Esse crescimento já vinha ocorrendo antes da pandemia de Covid-19, mas recuou para 20% no início da década. Agora, vem crescendo ano após ano, tendo chegado aos atuais 25%. Além disso, quando observamos que a maior parte dessa inserção ocorre na informalidade, vemos um sinal de que esse prolongamento da vida laboral nem sempre acontece em condições de estabilidade e proteção social”, diz Tokarski.
Taxa de ocupação cresce mais entre os 60+ do que entre os jovens
O levantamento da Nexus também destaca o contraste entre as diferentes faixas etárias na última década. Essa distorção reflete no estoque de desempregados. Em números absolutos, o Brasil tem 1,8 milhão de jovens desocupados — volume 8,3 vezes maior do que o de pessoas 60+ na mesma situação (218 mil). Em relação aos ocupados, a diferença se mantém: o número de jovens trabalhando cresceu 8% no período (de 12,2 milhões para 13,1 milhões), contra o salto de 53% da Geração 60+.
O paradoxo do “pleno emprego”
A taxa de desemprego da Geração 60+ caiu de 4% (2016) para 2% (2025). Mas, com 53% desse grupo trabalhando sem rede de proteção, o dado não revela um sucesso de contratação CLT, mas sim a migração forçada para o trabalho informal.
“O baixíssimo desemprego entre a Geração 60+ não reflete necessariamente, um mar de oportunidades, mas a realidade de um público que não pode se dar ao luxo de permanecer desocupado. Enquanto o jovem muitas vezes consegue focar nos estudos ou prolongar a busca pela vaga ideal, o 60+ migra rapidamente para a informalidade. Para mais da metade desses profissionais, entrar na terceira idade trabalhando significa estar fora do regime CLT, o que evidencia que a qualidade e as garantias dessa ocupação permanecem como grande desafio estrutural”, aponta Tokarski.








