Taxa de ocupação da Geração 60+ atinge recorde em 10 anos

Taxa de ocupação da Geração 60+ atinge recorde em 10 anos

25% dos brasileiros com 60 anos ou mais estão ocupados

Um em cada quatro brasileiros com 60 anos ou mais está ativo no mercado de trabalho e o percentual de ocupados está crescendo em ritmo mais acelerado do que a própria população dessa faixa etária.Levantamento inédito feito pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a inserção da Geração 60+ no mercado de trabalho deu um salto na última década. A taxa de ocupação é 25%, o maior percentual registrado entre 2016 e 2025.

A quantidade de brasileiros 60+ (Geração Prateada) ocupados aumentou de 5,7 milhões para 8,7 milhões em dez anos, o que representa um salto de 53% . O percentual de trabalhadores 60+ cresce em ritmo mais acelerado do que a própria população dessa faixa etária, que subiu 37% no mesmo período.

Mais da metade dos trabalhadores 60+ estão na informalidade

Apesar do aumento na taxa de ocupação entre os brasileiros 60+ nos últimos dez anos, o cenário não se traduz necessariamente em um mercado cheio de boas oportunidades. Os dados do levantamento da Nexus indicam que a formalização e a qualidade dos vínculos não acompanham o aumento na quantidade de mão de obra nessa faixa etária.

Mais da metade (53%) dos ocupados com 60 anos ou mais atuam na informalidade: sem carteira assinada, como autônomos, fazendo bicos ou consultorias sem contrato. O percentual é superior à média geral do país, que flutuou em torno de 40% nos últimos 10 anos, chegando a 38% no ano passado. Significa dizer que a informalidade entre os trabalhadores com 60 anos ou mais é quase 1,5 vez maior do que na média .

“A diferença entre o crescimento da população 60+ e a expansão ainda mais acelerada da ocupação nessa faixa etária mostra que estamos diante de uma mudança relevante no mercado de trabalho brasileiro. O aumento da longevidade ajuda a explicar parte desse movimento, mas os dados indicam que a permanência dos idosos na atividade econômica está associada também a fatores como a necessidade de complementar renda, as transformações nas regras de aposentadoria e o maior custo de vida”,  afirma o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.

“O fato de a taxa de ocupação atingir o maior patamar da última década reforça que os brasileiros estão trabalhando por mais tempo. Esse crescimento já vinha ocorrendo antes da pandemia de Covid-19, mas recuou para 20% no início da década. Agora, vem crescendo ano após ano, tendo chegado aos atuais 25%. Além disso, quando observamos que a maior parte dessa inserção ocorre na informalidade, vemos um sinal de que esse prolongamento da vida laboral nem sempre acontece em condições de estabilidade e proteção social”, diz Tokarski.

Taxa de ocupação cresce mais entre os 60+ do que entre os jovens

O levantamento da Nexus também destaca o contraste entre as diferentes faixas etárias na última década. Essa distorção reflete no estoque de desempregados. Em números absolutos, o Brasil tem 1,8 milhão de jovens desocupados — volume 8,3 vezes maior do que o de pessoas 60+ na mesma situação (218 mil). Em relação aos ocupados, a diferença se mantém: o número de jovens trabalhando cresceu 8% no período (de 12,2 milhões para 13,1 milhões), contra o salto de 53% da Geração 60+.

O paradoxo do “pleno emprego”

A taxa de desemprego da Geração 60+ caiu de 4% (2016) para 2% (2025). Mas, com 53% desse grupo trabalhando sem rede de proteção, o dado não revela um sucesso de contratação CLT, mas sim a migração forçada para o trabalho informal.

“O baixíssimo desemprego entre a Geração 60+ não reflete necessariamente, um mar de oportunidades, mas a realidade de um público que não pode se dar ao luxo de permanecer desocupado. Enquanto o jovem muitas vezes consegue focar nos estudos ou prolongar a busca pela vaga ideal, o 60+ migra rapidamente para a informalidade. Para mais da metade desses profissionais, entrar na terceira idade trabalhando significa estar fora do regime CLT, o que evidencia que a qualidade e as garantias dessa ocupação permanecem como grande desafio estrutural”, aponta Tokarski.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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