Fim da “taxa das blusinhas” já custa empregos de comerciários

Varejo nacional fechou 3 mil vagas
O Caged de maio, divulgado pelo Ministério do Trabalho, mostrou o fechamento de aproximadamente 3 mil vagas no varejo nacional, exatamente no mês em que a MP 1.357/2026 zerou o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 (a chamada “taxa das blusinhas”).
Para efeito de comparação, entre o segundo semestre de 2024 e o início do segundo semestre de 2025, período em que o imposto esteve em vigor, o varejo havia criado 150 mil empregos diretos. A UGT (União Geral dos Trabalhadores) e o Sindicato dos Comerciários de São Paulo já eram signatários, ao lado de outras 51 entidades, de manifesto pela manutenção da tributação — e cobram que o Congresso Nacional leve os números do CAGED em conta antes de converter a MP em lei.
“Quando uma vaga no comércio fecha, não é só um número em uma planilha: é um trabalhador que perde a carteira assinada, o INSS, o FGTS, o vale-transporte. Defender a equivalência tributária entre quem vende aqui e quem vende de fora é defender o emprego formal”, diz Ricardo Patah, presidente da UGT e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo.
As entidades reconhecem que o preço mais baixo dos importados interessa ao consumidor de menor renda, mas defendem que essa discussão seja resolvida por outra via, sem abrir mão da paridade tributária que sustenta o emprego formal. Já tramitam no Congresso mais de 100 emendas à MP 1.357/2026, entre elas algumas propondo que o varejo e a indústria sejam igualmente isentos de impostos federais nos produtos de até R$ 250,00 (o equivalente à isenção proposta pela MP para os sites estrangeiros). Sinal de que o tema é sensível também entre parlamentares.








