Cachaças paranaenses apoiadas pelo Sebrae são premiadas em concurso mundial
Três produtores de cachaça de Morretes, no litoral paranaense, apoiados pelo Sebrae/PR, foram destaque no Concurso Mundial de Bruxelas – Spirits Selection, realizado em Florianópolis, Santa Catarina, entre os dias 6 e 8 de junho. O concurso de bebidas alcoólicas, reconhecido internacionalmente pela reputação e rigor técnico, aconteceu pela primeira vez na América Latina e rendeu várias medalhas ao Brasil e, principalmente, a pequenas destilarias.
As marcas Porto Morretes, Casa Poletto e Boa Brasil, administradas pelos produtores Fulgêncio Torres, Sadi Poletto, e Sergio Pignanelli, respectivamente, conquistaram sete medalhas ao todo, em diversas categorias de premiação a cachaças. Somente a Porto Morretes, da Agroecológica Marumbi, levou cinco medalhas, dentre elas uma na categoria Grande Medalha de Ouro, prêmio que já havia recebido também na edição do Concurso realizada em 2012. A Casa Poletto, foi premiada na categoria Ouro e a Boa Brasil, na categoria Prata.
Em comum, além de produzirem cachaças com elevado padrão de qualidade, os produtores paranaenses premiados participam de um projeto do Sebrae/PR com foco em boas práticas de produção, fabricação e distribuição. Voltado para todos os elos da cadeia produtiva de hortifrutigranjeiros, a proposta do Sebrae/PR também se estende a pequenas destilarias e cervejarias, para as quais são oferecidas consultorias e soluções no desenvolvimento de produtos.
“Ao longo do tempo, o Sebrae sempre foi nosso parceiro. Duas das cinco medalhas conquistadas no Concurso são frutos do apoio direto concedido pela entidade na criação de novos produtos, de forma inovadora”, diz Fulgêncio Torres. O produtor relata que, por meio do Sebraetec – Serviços em Inovação e Tecnologia – Modalidade Diferenciação, solução da entidade que subsidia projetos de inovação, a Porto Morretes desenvolveu cachaças diferenciadas.
Durante aproximadamente um ano, Fulgêncio Torres, com o suporte do Sebraetec e conhecimento adquirido com as consultorias em boas práticas de fabricação que vinha recebendo há mais tempo pelo Projeto da Cadeia Produtiva de Hortifrutigranjeiros da Região Metropolitana de Curitiba, testou o uso de barris feitos com madeiras brasileiras, para armazenar a bebida. Tradicionalmente, o carvalho – americano ou francês – é o mais indicado.
Porém, a Porto Morretes decidiu inovar e armazenar parte da sua produção em barris fabricados com acabamentos em amburana, uma madeira tipicamente brasileira conhecida popularmente como cumaru-do-ceará, cumaru-das-caatingas e também como cerejeira, muito usada na fabricação de móveis finos. “A combinação deu certo e diversificamos nossos produtos. Produzimos cachaças em carvalho e também em amburana”, comemora. Nesta semana, Fulgêncio Torres recebe um grupo de bartenders (profissionais responsáveis pela mistura de bebibas e preparação de coquetéis em um bar) vindos dos Estados Unidos especialmente para conhecer, durante dez dias, sua produção.
“O Sebrae Nacional teve um papel fundamental nessa conquista dos produtores de cachaças. A entidade estimulou nacionalmente a participação de pequenas destilarias no Concurso. O Brasil foi representado por 203 cachaças, sendo que a inscrição de 100 delas foi viabilizada pelo Sebrae Nacional”, afirma a consultora do Sebrae e gestora do Projeto de Hortifrutigranjeiros, Maria Isabel Guimarães.
Segundo ela, “o resultado mostra que estamos no caminho certo, razão pela qual iniciamos a discussão de um processo com o objetivo de obtermos a identificação geográfica das cachaças produzidas em Morretes”. “Os elaboradores premiados estão de parabéns, porque, além de se destacaram num concurso bastante disputado, não têm medido esforços no seu trabalho.” “Os elaboradores das cachaças Boa Brasil e Casa Poletto, assim como o da Porto Morretes, são parceiros do Sebrae/PR e confiam no trabalho em conjunto e nos consultores da entidade. Com a Boa Brasil, ajudamos no desenvolvimento de produtos. E com a Casa Poletto, sua legalização como empresa”, cita.
Maria Isabel Guimarães explica que o Spirits Selection é um concurso às cegas. Ou seja, todos os elaboradores de bebidas alcoólicas do mundo, que participaram desta edição, dentre eles os de cachaças de Morretes, enviaram garrafas de suas bebibas antecipadamente. Ao júri que analisou as bebidas foram entregues pequenas amostras, sem identificar a sua origem. “Isso acabou revelando, ao final da premiação, que estamos com produtos de alto padrão, em condição de igualdade e competitividade”, avalia Maria Isabel.
Ao todo, 720 amostras, entre uísques, tequilas, conhaques, grapas, piscos, cachaças, entre outros destilados, foram avaliados por 47 jurados brasileiros e estrangeiros.blindados e com modificações. A lista completa dos premiados, produtores de bebidas alcoólicas no geral, pode ser acessada no site oficial do Concurso, no www.spiritsselection.com.








