Inflação corrói principal investimento do brasileiro
Ela já chegou ao pico de 6.821% ao ano antes do Plano Real. Hoje, gira em torno de 6,4% ao ano. Mesmo muito menor e sob controle, segundo garante o Governo Federal, a inflação continua a ser a principal vilã dos poupadores que não querem apenas corrigir suas aplicações, mas buscam ganhos reais para seus investimentos. Segundo o administrador de empresas Antônio Marmo Júnior, que há 15 anos trabalha como assessor de investimentos e hoje é diretor da Praisce Capital, o brasileiro perde poder de compra, mesmo poupando dinheiro, porque não consegue responder a três perguntas básicas: Qual a rentabilidade paga pela poupança hoje? Qual a taxa de juros cobrada hoje no Brasil? Qual o índice da inflação brasileira? “Quem consegue responder de pronto a essas três questões percebe que colocar dinheiro na poupança é, na maioria das situações, perda do poder de compra”, assegura.
Marmo Jr exemplifica. Se a poupança paga 6,5% ao ano e a inflação é de 6,0% a.a., o poupador tem um ganho de 0,5% no período. Outras opções de investimentos, que possuem a mesma garantia assegurada pelo Governo Federal à poupança, pagam 10% a.a. Descontada a inflação, o ganho é de 4%, o que representa oito vezes mais que a poupança. “Isso significa dizer que se você colocar dez mil reais na LCi/LCA, ao final de doze meses terá um lucro líquido de 400 reais, contra 50 reais de ganho na poupança com a mesma aplicação”, explica.
Assim, para quem está receoso com a volta da inflação e o impacto que isso pode ter na sua poupança, a primeira dica do assessor de investimentos é a de procurar uma opção de investimento que possua a mesma garantia dada pelo Governo Federal à poupança, mas que tenha uma taxa de remuneração mais próxima às taxas de juros praticadas pelo mercado, que hoje giram em torno de 11% ao ano. “Quanto mais próxima da taxa de juros e mais distante do índice de inflação estiver a rentabilidade do seu investimento, mais você ganha”,simplifica.
Marmo Júnior afirma que a poupança é a melhor opção apenas para quem quer começar a investir, mas tem pouco recurso disponível. “Assim, a poupança serve para você depositar uma quantia fixa por mês até formar um capital indicado para começar a ganhar dinheiro de verdade, garantindo seu poder de compra futuro. A partir de dez mil reais de capital, já deve deixar a poupança.”, destaca.
Para ilustrar a perda do poder de compra da poupança em relação a outros produtos de investimentos, Marmo Jr, que é palestrante e já ministrou mais de 300 treinamentos sobre investimentos para cerca de dez mil alunos, usa o exemplo da alcatra. “Há dez anos, se 100 reais comprassem 9,5 kg de alcatra, hoje compraria 9 kg da carne se tivessem sido colocados na poupança e 12 kg de alcatra se tivessem sido aplicados em outros investimentos, cuja rentabilidade está mais próxima das taxas de juros praticadas pelo mercado, que hoje gira em torno de 11% ao ano. Isso é perda de poder de compra e o poupador precisa avaliar se quer mudar seu perfil de consumo para mais ou para menos depois do período de poupança”, alerta.
Marmo Jr. reconhece que mudar o hábito cultural de enxergar na poupança o modelo de investimento mais seguro do mercado não é uma tarefa fácil para a maioria dos poupadores brasileiros. Assim, ele lembra que quem quer mudar sua aplicação ou iniciar um processo de guardar dinheiro precisa, primeiro, traçar seu plano de vida. “A primeira pergunta a ser respondida é: você quer poupar para que? A resposta a isso, associada ao perfil individual de cada poupador e ao prazo que ele tem para começar a usufruir desse investimento, é o que vai dar início ao seu plano de vida como investidor ou poupador. Todo investimento deve ser feito a partir de três premissas: seus objetivos de vida, seu perfil de poupador e sua necessidade de liquidez. O problema é que a maioria dos poupadores brasileiros são induzidos a investimentos que atendem mais às instituições bancárias que aos seus sonhos e planos”, conclui.








