De olho no desenvolvimento, agentes articulam ações em favor dos pequenos negócios no Paraná
Maeli Ramos, de Rio Branco do Sul; Tânia Mansani, de Ponta Grossa; Francisco Carlos Ruiz, de Umuarama; e Fernanda de Oliveira Moreira, de Toledo, apostam no empreendedorismo e no poder econômico e social das micro e pequenas empresas do Paraná. Eles fazem parte de um ‘time’ de aproximadamente 130 agentes de desenvolvimento, nomeados por prefeituras municipais com a função de articular e tornar realidade a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, legislação em vigor no Brasil desde 2006, que dispensa tratamento diferenciado para os pequenos negócios.
Nos últimos dias 6 e 7 de novembro, em Curitiba, Maeli, Tânia, Francisco e Fernanda compartilharam com pouco de suas experiências, no 1º Encontro Estadual de Agentes de Desenvolvimento do Paraná, organizado pelo Sebrae/PR, durante a Semana da Pequena Empresa. Noventa e cinco agentes de desenvolvimento, espalhados pelo Estado, cumpriram intensa programação. Além de assistir a palestras, com especialistas, também participaram de reuniões com foco na municipalização e regulamentação da Lei Geral.
“O objetivo do encontro foi atualizar informações e, sobretudo, reforçar o papel dos agentes como protagonistas do desenvolvimento nos municípios”, explica Luiz Marcelo Padilha, coordenador estadual de Políticas Públicas do Sebrae/PR. Segundo ele, os agentes de desenvolvimento acompanham de perto a realidade dos pequenos negócios e podem auxiliar e criar mecanismos para que o ambiente empresarial seja cada vez mais favorável, seja por meio da atuação em Salas do Empreendedor, espaços previstos pela Lei Geral para atender empresários e futuros empresários, ou em Comitês Gestores da Lei Geral, estimulados pelo Programa Cidade Empreendedora, do Sebrae/PR, que trabalha a implementação da Lei Geral em todos os níveis.
Padilha alerta para o avanço do empreendedorismo formal, e consequente necessidade de apoio aos novos empresários. O Paraná tem hoje cerca de 650 mil pequenos negócios, dentre microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas. O número de microempreendedores individuais, por exemplo, que são aqueles com faturamento bruto anual de até R$ 60 mil, tende a quase triplicar nos próximos quatro anos, saltando de R$ 250 mil, em 2014, para 750 mil em 2018, de acordo com projeções do próprio Sebrae/PR. “Os agentes têm essa missão de buscar o desenvolvimento por meio dos pequenos negócios e os resultados desse trabalho têm sido surpreendentes.”
“Sei que sou peça fundamental em todo esse processo, tenho consciência da minha responsabilidade, porque meu trabalho mexe com o dia a dia das empresas, com a vida das pessoas e de suas comunidades. Empresas fortes representam mais renda e empregos com carteira assinada”, destaca Maeli Ramos, agente em Rio Branco do Sul, a 30 quilômetros de Curitiba. Segundo ela, “é preciso tirar os empreendedores da zona de conforto e mudar a cultura do município. Não é fácil, porque são muitos envolvidos, que nem sempre pensam como a gente, mas sinto orgulho de fazer parte dessa iniciativa.”
Rio Branco do Sul tem 32 mil habitantes e “IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) baixíssimo”, destaca Maeli, que decidiu tornar-se agente para ser útil à população e ao projeto de desenvolvimento do município, que fica no Vale da Ribeira, uma das regiões mais pobres do Estado. A Sala do Empreendedor, espaço previsto pela Lei Geral para atender empresários e candidatos a empresários, onde Maeli Ramos atua, já é uma referência em Rio Branco do Sul, que registrou aumento de formalizações e abriu linhas de crédito específicas para diferentes grupos como taxistas e mulheres empresárias.
Em Umuarama, na região noroeste, e Ponta Grossa, nos Campos Gerais, os agentes de desenvolvimento Tânia e Francisco contam que resolveram um problema comum aos microempreendedores individuais: a demora para a retirada de alvará na abertura de uma empresa. O processo, que antes levava até 40 dias, agora leva 48 horas em média. Tânia conta que o “grande avanço” é resultado do “software que nós construímos”, por meio de um trabalho articulado com as secretarias para a implantação da chamada Consulta Prévia Eletrônica. A Sala do Empreendedor de Ponta Grossa realiza cerca de 500 atendimentos mensais e já formalizou mais de 800 empresas até agora.
Francisco Carlos Ruiz estima que até dezembro será formalizada Lei Geral da Micro e Pequena Empresa de Umuarama, com base na legislação nacional. Entre outras ações que beneficiam os empresários locais, o agente de desenvolvimento cita a elaboração de editais de licitação exclusivos para microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas, bem como a inclusão dos microempreendedores individuais em outros processos licitatórios dos quais antes estavam impedidos de participar. A Sala do Empreendedor, calcula Francisco, realiza 110 atendimentos/mês e, desde que foi aberta, em junho deste ano, já formalizou 75 pequenos negócios. “Além de participar de palestras, oficinas e do Programa Negócio a Negócio, iniciativa do Sebrae que oferece orientações empresariais gratuitas nas empresas, os empreendedores locais têm atendimento gratuito com advogado e contador”, relata.
O consultor do Sebrae/PR, Adir Mattioni, informa que 32 municípios do oeste paranaense participam do Programa Cidade Empreendedora, em execução em 110 municípios paranaenses com estimativa de aumento para 142 em 2015. Quatro deles participam do Programa Compras Paraná, outra iniciativa do Sebrae/PR para fazer valer o direito das pequenas empresas de fornecer ao poder público e órgãos governamentais, sendo que Toledo criou, em setembro deste ano, o primeiro escritório de compras públicas do Estado, depois de desenvolver um software de busca de licitações e editais. Segundo a agente de desenvolvimento de Toledo, Fernanda de Oliveira Moreira, isso é resultado da articulação das entidades nas esferas municipal, estadual e federal realizada pelo Comitê Gestor e com o apoio das associações comerciais.
No sudoeste do Paraná, 17 municípios fazem parte do Programa Cidade Empreendedora, que será estendido para mais quatro cidades até o ano que vem, informa o consultor do Sebrae/PR, Gerson Miotto. Para ilustrar o efeito transformador das Salas do Empreendedor, previstas na Lei Geral, ele levou ao Encontro Estadual dos Agentes de Desenvolvimento do Paraná a empresária Marizete Grunitzki, de 34 anos. Ex-servente de uma escola pública no município de Mangueirinha, onde nasceu, hoje ela é dona da loja Mary Lingerie. Em depoimento emocionado, ela contou que: “o apoio do Sebrae foi a base de tudo. Quando conheci a Sala do Empreendedor, percebi que aquele sonho que era meu, de ter meu negócio, também era de mais alguém”.
Foi com o financiamento que conseguiu com a ajuda do Sebrae/PR que ela comprou as primeiras máquinas de costura e começou a costurar em casa, à noite, depois de trabalhar o dia todo como servente. “Já fiz bastante, mas o meu sonho é ainda maior”, diz Marizete. Ela planeja o crescimento do seu negócio, contratar mais funcionários, passar de microempreendedora individual para empresária de microempresa. Foi o que aconteceu com Fernando Borges, de 24 anos, proprietário da Constru Ferros em Ponta Grossa, também presente no evento do Sebrae/PR. “Cresci tanto que minha empresa foi expulsa da categoria microempreendedor individual para microempresa”, brinca.
Fernando montou seu negócio “para sobrevivência”, em 2013, com o apoio da Sala do Empreendedor. “Em meia hora, abri a empresa e já saí com empréstimo”, relembra. Foi com esse dinheiro que ele comprou a máquina que tornou o seu negócio competitivo. A empresa dele produz colunas, vergalhões, treliças e sapatos para a indústria da construção civil. Em seis meses, Fernando conseguiu contratar um funcionário – hoje já tem quatro funcionários diretos e nove indiretos. Ele avalia que nada disso seria possível sem o apoio do Sebrae/PR e dos agentes de desenvolvimento com atuação no Estado. “Sou eternamente grato pelo suporte, treinamento, por me ajudarem a evoluir.”








