Desvalorização do real dá prejuízo de R$ 312 milhões a Minerva Foods
A Minerva Foods registrou um prejuízo líquido de R$ 312 milhões para o quarto trimestre do ano passado, um aumento de 150% ante a perda de R$ 124 milhões registrada no ano anterior, com a rápida desvalorização da moeda brasileira responsável por uma variação negativa de R$ 251 milhões no resultado, anunciou a empresa na quarta-feira à noite (4).
O crescimento mundial em demanda de carne bovina não deve desacelerar em 2015 e será dirigido por mercados emergentes na Ásia, bem como mercados desenvolvidos como a União Europeia e os Estados Unidos, onde a produção doméstica deve desacelerar e as importações devem aumentar, previu o presidente da Minerva, Fernando Galleti de Queiroz, durante uma teleconferência com analistas na quinta-feira (5).
As exportações foram responsáveis por 65% do faturamento total da empresa em 2014, refletindo uma demanda internacional crescente por carne bovina e um fornecimento reduzido pelos outros maiores mercados produtores.
Os principais fornecedores de carne bovina como a Austrália e os EUA devem continuar ciclos de restrita oferta de gado e produção, colocando os produtores sul-americanos no banco do motorista para as exportações internacionais este ano, disse Queiroz. A continuação do fortalecimento do dólar norte-americano em 2015 só irá melhorar o potencial de receita da Minerva em real brasileiro, apesar do impacto negativo que pode ter sobre a dívida da companhia em dólares.
A receita líquida da Minerva para o 4T ofereceu um ganho de 47% ano a ano, para R$ 2,13 bilhões, impulsionado em parte pela integração à companhia de duas plantas de abate adquiridas no início do ano da BRF em Mato Grosso, juntamente a novas unidades de carne bovina em Janaúba (MG) e em Montevidéu, no Uruguai.
A Minerva aumentou sua capacidade de processamento de carne bovina em 2014 em cerca de 40% com as aquisições, e agora possui 15 plantas de abate localizadas em sete estados brasileiros, no Uruguai e no Paraguai. A empresa também entrou recentemente no mercado colombiano, com a aquisição do frigorífico Red Carnica anunciada no fim de fevereiro.
O novo ativo na Colômbia tem a aprovação de exportação para mercados importantes como Hong Kong, Rússia e Egito, entre outros, enquanto a Colômbia também tem um acordo de livre comércio com os EUA, um fator-chave no desejo da Minerva para entrar neste mercado, disse Queiroz.
Para 2014 como um todo, a Minerva reportou um prejuízo líquido de R$ 418,2 milhões, uma queda de 33% em relação ao ano anterior, que a empresa atribui ao movimento extremo da taxa de câmbio e do seu pagamento de impostos não recorrentes. Sem esses fatores, a Minerva disse que teria gerado um lucro líquido de R$ 156 milhões para o ano.
A receita líquida da empresa para 2014 atingiu R$ 7 bilhões, sem considerar aquisições recentes, um aumento de 28% ante o ano anterior.
Olhando para 2015, a Minerva previu que vai chegar à receita de R$ 10 bilhões este ano, com base em crescimento orgânico para toda a empresa, na integração de novos ativos no Brasil, Uruguai e Colômbia, e em uma taxa de câmbio ideal de R$ 2,80 por US$ 1.








