Produção industrial do Paraná cai 5,6% em janeiro

A produção da indústria do Paraná recuou 5,6% na passagem de dezembro de 2014 para janeiro de 2015, diante do avanço na média nacional de 2,0%, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal Regional – Produção Física (PIM-PF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o segundo resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto, acumulando perda de 6,3% em três meses, alerta o economista e diretor do Centro Estadual de Estatística do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco José Gouveia de Castro. Com isso, o índice trimestral registrou variação negativa de 2,0% nos três meses encerrados em janeiro frente ao nível do mês anterior.
Entre os 14 locais pesquisados pelo IBGE, no País, sete apresentaram aumento no ritmo da produção industrial. Os ramos que influenciaram negativamente no índice geral do Estado foram fabricação de veículos automotores, fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, celulose e papel, bebidas e produtos alimentícios.
Em janeiro de 2015, no confronto com janeiro de 2014, o setor fabril paranaense apontou recuo de 12%, frente contração de 5,2% para o Brasil, com retração em 11 dos 15 locais pesquisados. Os setores que afetaram negativamente o desempenho da indústria no Estado foram fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (-35,5%), impulsionado pela menor produção de caminhão-trator para reboques e semirreboques, automóveis, caminhões e reboques e semirreboques.
Também interferiu o recuo na produção de máquinas e equipamentos (-32%), pressionado pela menor produção de máquinas para colheita e tratores agrícolas. Houve ainda a influência do ramo de coque, de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-18,4%), derivada da menor produção de óleos combustíveis, gasolina automotiva, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo. Vale citar também o declínio na produção de minerais não metálicos (-16,9%), impulsionado pelo recuo registrado nos itens blocos e tijolos para construção e artigos de fibrocimentos; bem como em produtos de metal (-14,9%), influenciado por artefatos diversos de ferro/aço estampado, estruturas de ferro e aço em chapas ou em outras formas, construções pré-fabricadas de metal, latas de ferro e aço para embalagem de produtos diversos, cadeados, moldes para fabricação de peças de borracha ou plástico e artefatos diversos de serralheria.
Houve redução na fabricação de produtos alimentícios (-2,2%), pressionada pela menor produção de bombons e chocolates em barras contendo cacau, carnes e miudezas de aves congeladas e rações e outras preparações utilizadas na alimentação de animais.
Em sentido oposto, os setores de bebidas (21,9%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (13,6%), produtos químicos (12,7%), celulose e papel (9,4%) e móveis (1,4%) exerceram as influências positivas mais importantes sobre o total da indústria paranaense.
No índice acumulado nos últimos 12 meses, terminado em janeiro de 2015, a indústria do Paraná desacelerou 6,6%, ante uma redução de 3,5% na produção nacional. Dos 13 setores pesquisados, sete diminuíram a produção, puxados por fabricação de veículos automotivos (-23,6%), máquinas e equipamentos (-16,7%), fabricação de móveis (-6,5%), produção de alimentos (-5,9%) e fabricação de borracha e produtos plásticos (-4,3%).
Na avaliação do economista Francisco José Gouveia de Castro, os números da produção industrial evidenciam o enfraquecimento da economia brasileira, determinado pelos efeitos da política econômica praticada pelo governo federal, com a opção do abandono do tripé macroeconômico, formado por câmbio flutuante, superávits fiscais primários e metas de inflação, que vêm provocando deterioração das expectativas dos consumidores e dos empresários em relação ao futuro.
Para Gouveia de Castro, algumas atividades da matriz industrial paranaense vêm demonstrando evidentes sinais de contágio da regressão da economia brasileira, especialmente o setor automotivo, que passa por uma forte retração nas vendas internas e aumento dos estoques nas fábricas e revendas, fruto também da restrição do crédito. Como consequência, as grandes montadoras vêm adotando medidas de corte de produção, suspensão temporária de contratos de trabalho, férias coletivas e programas de demissão voluntária (PDV).







