Alta do dólar não reflete nas exportações de calçados

Apesar da alta do dólar, que atingiu a maior cotação frente ao real em dez anos, o setor calçadista ainda não recuperou as exportações. No bimestre, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), os calçadistas exportaram 20,85 milhões de pares por US$ 150,4 milhões, 23% menos do que no mesmo período de 2014. As importações também caíram no período, alcançando US$ 100,4 milhões, quase 17% menos do que no mesmo ínterim do no passado. Com isso, a balança comercial de calçados fechou o bimestre positiva em US$ 50 milhões, saldo 33% menor do que o registrado em 2014.
Os três principais destinos do calçado brasileiro registraram queda no primeiro bimestre do ano. Os Estados Unidos compraram 1,95 milhão de pares por US$ 25,47 milhões, uma queda de 13,9% no comparativo com o mesmo período de 2014. Os franceses, por sua vez, compraram 3,3 milhões de pares por US$ 13,2 milhões, valor 15,7% menor do que o registrado no ano passado. Para a Rússia foram embarcados 305 mil pares por US$ 8 milhões, queda de 33% frente igual período do ano passado. O destaque positivo entre os destinos ficou por conta dos Emirados Árabes Unidos, que compraram US$ 3,83 milhões em calçados verde-amarelos, 52,1% mais do que no primeiro bimestre de 2014.
Para o presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, a alta da moeda norte-americana ainda não influenciou os embarques, pois os primeiros meses ainda refletem negociações do ano passado. Para os próximos meses, apesar de manter a projeção positiva, levando em consideração a alta do dólar e a recuperação dos principais mercados para o produto nacional, o executivo ressalta que o quadro pode ser prejudicado pela constante oscilação cambial e o aumento de custos de produção no Brasil. “A formação de preço fica prejudicada, pois tanto os exportadores como os compradores ficam inseguros com relação aos valores praticados”, explica.
No bimestre, o principal exportador foi o Rio Grande do Sul. Os gaúchos embarcaram 2,48 milhões de pares por US$ 52 milhões, 27,4% menos do que no mesmo período de 2014. O segundo exportador foi o Ceará, que vendeu 9,3 milhões de pares por US$ 46,37 milhões, queda de 23%. São Paulo segue na terceira posição no ranking, tendo comercializado no período 1,32 milhão de pares por US$ 19,5 milhões, 24,3% menos do que no ano passado.
Seguindo o ritmo de desaquecimento no mercado doméstico, a importação de calçados também caiu no bimestre. No período entraram no Brasil 6,8 milhões de pares por US$ 100,4 milhões, 16,9% menos do que em 2014. As principais origens foram o Vietnã (US$ 53 milhões, queda de 28,8% em relação ao primeiro bimestre do ano passado), Indonésia (US$ 22,96 milhões, aumento de 4,6%) e China (US$ 11 milhões, queda de 4,3%). Em partes, que são as peças para montagem de calçados – cabedais, palmilhas, solas, saltos etc – a importação do bimestre somou US$ 15,4 milhões, alta de 2,8% em relação a igual período de 2014.








