Acordo UE–Mercosul deve concentrar ganhos e riscos nos mesmos estados

Acordo UE–Mercosul deve concentrar ganhos e riscos nos mesmos estados

Regiões líderes em exportação agropecuária enfrentam maior exposição a exigências ambientais e fundiárias do mercado europeu, aponta levantamento

Uma análise da Geocracia IA em parceria com a SPLaw Advogados revela que os estados brasileiros com maior protagonismo no comércio exterior agropecuário devem concentrar também os principais benefícios e os maiores desafios regulatórios do acordo entre União Europeia e Mercosul. O ranking foi feito a partir da integração de bases públicas como IBGE, Conab, Ministério da Agricultura e Pecuária, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Embrapa, CNA e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento utilizando dados de exportação, volume e áreas de produção das principais commodities a serem beneficiadas pelo acordo.

Estados como Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul figuram entre os principais exportadores de commodities agrícolas para a Europa, com destaque para cadeias como soja, café e carne bovina, que lideram a pauta exportadora brasileira segundo estatísticas oficiais de comércio exterior. Por outro lado, o cruzamento com dados ambientais do INPE, a partir dos sistemas PRODES (Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite) e DETER, plataforma de dados do INPE, indica que grande parte da expansão agropecuária recente nessas regiões ocorre em áreas sob pressão de desmatamento.

Esse fator tende a ganhar peso com o avanço de exigências europeias de rastreabilidade, como as previstas no Regulamento Europeu de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR em inglês), que restringe a entrada de produtos associados a áreas desmatadas após 2020. A análise também considera informações do Serviço Florestal Brasileiro sobre o Cadastro Ambiental Rural, evidenciando diferenças relevantes no estágio de validação e regularização ambiental entre estados e dentro das próprias regiões mais exportadoras.

Oportunidades e riscos

Essa heterogeneidade pode impactar diretamente a capacidade de comprovação de conformidade exigida por compradores internacionais. Segundo Luiz Ugeda, sócio da Geocracia e da SPLaw Advogados, os dados mostram uma sobreposição entre oportunidade econômica e risco regulatório.

“Os estados com maior inserção internacional são, em muitos casos, os mesmos que enfrentam maiores desafios de regularização ambiental e fundiária. A competitividade passa a depender não apenas da produção, mas da capacidade de demonstrar conformidade e rastreabilidade”, afirma Ugeda.

Para Pedro Carneiro, sócio da SPLaw Advogados, o cenário deve elevar o nível de exigência nas transações internacionais. “A comprovação de origem, regularidade ambiental e consistência cadastral passa a ter impacto direto na estruturação de contratos e no acesso ao mercado europeu, exigindo um novo nível de governança por parte dos agentes econômicos”, avalia.

A análise reforça que a integração de dados territoriais ainda é um dos principais desafios para dimensionar com precisão os impactos regulatórios e econômicos do acordo, indicando a necessidade de maior convergência entre bases fundiárias, ambientais e produtivas no Brasil.

Ranking dos estados mais impactados pelo acordo UE–Mercosul

1. Mato Grosso

2. Paraná

3. Rio Grande do Sul

4. Goiás

5. Mato Grosso do Sul

6. Minas Gerais

7. São Paulo

8. Bahia

9. Maranhão

10. Tocantins

11. Piauí

12. Santa Catarina

Fonte: IBGE, Conab, Ministério da Agricultura e Pecuária, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Embrapa, CNA e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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