Novo estudo sobre o setor de bens de consumo e varejo revela necessidade de repensar a cadeia de valor

CEO da The Coca-Cola Company,
Muhtar Kent, CEO da The Coca-Cola Company.

“O Fórum de Bens de Consumo” (“CGF — The Consumer Goods Forum”) e a Capgemini divulgaram nesta segunda-feira (14) os resultados de seu novo relatório “Repensando a Cadeia de Valor: Novas Realidades em Negócios Colaborativos”. O estudo identifica futuras tendências no setor de bens de consumo e varejo e conclui que as cadeias de valor tradicionais não são mais suficientes para manter o ritmo. A fim de assegurar o crescimento de longo prazo, recomenda a adoção de um método de “rede de valor” para se fazer negócios.

O relatório foi divulgado durante o encontro da diretoria da CGF em Amsterdã, que apresentou reconhecimentos especiais ao presidente e CEO da The Coca-Cola Company, Muhtar Kent, e ao presidente e CEO de Grupo da AEON Co., LTD, Motoya Okada, que iniciaram o projeto em nível de Conselho e que são, há muito tempo, co-patrocinadores do Conselho do “Pilar da Cadeia de Valor Ponta a Ponta e Padrões” (End-to-End Value Chain & Standards Pillar) da CGF, no qual esse projeto foi estabelecido.

Acredita-se que essa nova perspectiva da cadeia de valor irá mobilizar fabricantes, varejistas e outros interessados. O setor não deve mais pensar na cadeia de valor como uma jornada linear, em que produtos e informações fluem de forma linear e em sequência, do fornecedor para o fabricante, para o varejista e para o consumidor. Em vez disso, ele deve se organizar progressivamente como redes em torno dos consumidores, oferecendo uma multiplicidade de canais e interfaces em todos os processos de agregação de valor e de entidades empresariais. Em última análise, o consumidor está progressivamente no comando, tomando decisões que têm impacto direto em toda a rede de valor, com o setor respondendo a isso — e não o contrário.

Segundo Muhtar, “o consumidor de hoje em dia tem mais poder de decisão do que nunca. Os consumidores dispõem, agora, de poder e meios para compartilhar suas opiniões e preocupações com uma audiência muito maior do que antes, através de uma crescente variedade de canais sociais e digitais. Nesta era de expectativas crescentes do consumidor e de um ambiente de negócios em rápidas mudanças, há uma questão crucial que devemos fazer a nós mesmos: como podemos fortalecer nosso setor e beneficiar os consumidores através das dificuldades sem precedentes que estão a nossa frente? Esse relatório, iniciado pelo Fórum de Bens de Consumo, considera algumas das maneiras essenciais de antecipar e lidar com tais mudanças profundas”.

O relatório é um produto de extensas horas de trabalho e entrevistas com autoridades empresariais de grandes empresas de CPR, bem como com especialistas no assunto. Ele destaca como o setor precisa mudar, fundamentalmente, a maneira com que colabora com todo os grupos de interesse.

Motoya Okada
Motoya Okada

De acordo com Motoya Okada, “os membros de “O Fórum de Bens de Consumo” e nosso setor têm a responsabilidade de colaborar por um futuro melhor para os consumidores do mundo. O relatório sobre a Rede de Valor Futura destaca oportunidades adicionais, devido a muitas mudanças que impactam nosso setor, para que todos nós nos tornemos mais eficazes em tornar a vida melhor para os consumidores, ao mesmo tempo em que cumprimos nossa responsabilidade com o valor e a confiança. Podemos concretizar esses objetivos através de uma colaboração mais eficaz do que a do passado. O mundo está mudando profundamente e nós devemos fazer o mesmo”.

O relatório destaca três prioridades principais, nas quais o setor deve colaborar e que devem garantir um retorno positivo dos investimentos.

•    Mobilização do consumidor. Participar de um diálogo verdadeiro com os consumidores, justificando sua confiança em nosso setor. O setor precisa ser consistentemente responsável com os dados dos consumidores, de forma a agregar valor ao trabalho de servi-los e de envolvê-los. Isso requer que as empresas adotem princípios comuns e claros para facilitar a mobilização do consumidor.

•    Transparência. Manter os consumidores informados sobre a natureza e a rastreabilidade dos ingredientes, nutrientes e procedência dos produtos — informar os consumidores sobre o conteúdo, a segurança e o impacto ambiental e social dos produtos, ao mesmo tempo em que melhoramos a eficiência dentro do setor. Isso irá requerer uma mudança de etapa no trabalho de colaboração sobre definições de dados globais de produtos, qualidade dos dados e compartilhamento de dados, indo além da simples localização e rastreamento e auditorias.

•    A última milha da distribuição. Reconsiderar a suposição de que a distribuição a lojas e a consumidores é uma área em que as empresas operam de forma independente das outras e explorar oportunidades de colaboração, sob certas circunstâncias, para aumentar a rapidez, a eficiência e a satisfação do consumidor, ao mesmo tempo em que minimiza o impacto ambiental. O novo modelo deve envolver uma nova forma de parcerias de “rede”. Para aproveitar inteiramente essas oportunidades, o setor precisa investir em tecnologias flexíveis, interoperabilidade de novos processos e mais culturas corporativas abertas.

Para o diretor de Administração de O Fórum de Bens de Consumo, Peter Freedman, “o CGF está constantemente buscando por maneiras de apoiar maior eficiência nos negócios e o desenvolvimento da confiança do consumidor. Esse relatório enfatiza a importância de agir, para lidar com essas duas oportunidades. Ele reforça muito nosso projeto atual, mas nos desafia a implementá-lo com uma abordagem muito diferente da colaboração e ainda com maior urgência”.

O diretor do Setor Global de Bens de Consumo e Varejo da Capgemini, Ted Levine, declarou que “como um setor, precisamos concordar com a adoção de tecnologia modular, que oferece um método de funcionamento automático às aplicações empresariais e serviços de big data (análise inteligente de um volume excessivo de dados), para acelerar o tempo de colocação dos produtos no mercado e criar uma cultura de inovação. Na Capgemini, vemos a oportunidade para as empresas de Bens de Consumo e Varejo se direcionarem para uma cadeia de suprimentos voltada para o consumidor, que desenvolve redes de valor ponta a ponta com maior localização em todos os canais, visibilidade e percepções para impelir velocidade e inovação, para atender as demandas do consumidor digitalmente capacitado”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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