Principais varejistas globais mantêm crescimento de suas receitas
As 250 maiores varejistas globais geraram, juntas, uma receita de US$ 4,5 trilhões entre o período de junho de 2014 a junho de 2015 – último período fiscal a permitir comparação direta entre os números das redes avaliadas, representando um crescimento de 4,3% em relação aos dados de 2013, cujo aumento havia sido de 4,1%. Os dados são do estudo “Global Powers of Retailing 2016: Navegando a nova divisão digital”, da Deloitte, realizado em conjunto com a STORES Media. No entanto, os resultados variam de acordo com a região onde a empresa opera. Varejistas da América do Norte e da África/ Oriente Médio obtiveram incremento de receita em 2014, enquanto as da Ásia, da Europa e da América Latina registraram queda contínua dos números.
“O crescimento econômico mais lento em vários mercados, a inflação mais baixa, a queda dos preços do petróleo e o fortalecimento do dólar dos Estados Unidos estão entre os fatores que geraram resultados distintos entre os varejistas de diferentes regiões”, explica Ira Kalish, economista-chefe global da Deloitte. “Para as companhias norte-americanas, a força do dólar significou o aumento do poder aquisitivo dos consumidores nacionais, fator influenciado também pelo crescimento econômico e pela diminuição das taxas de desemprego do país. A economia chinesa, por outro lado, retraiu-se consideravelmente durante este período, principalmente devido à queda das exportações e ao enfraquecimento dos investimentos locais, mesmo com o crescimento dos gastos internos dos consumidores”, complementa.
A rentabilidade dos varejistas também foi desigual entre as regiões geográficas, mas em geral foi ruim. O relatório indica que os 250 maiores varejistas registraram uma margem de lucro líquido de 2,8% em 2014 em comparação a 3,4% em 2013. O estudo “Global Powers of Retailing 2016” também destaca o impacto da tecnologia sobre as compras nas lojas físicas, indicando a crescente conectividade com o mundo digital pelos consumidores.
O comportamento digital e a expectativa dos compradores estão evoluindo mais rápido do que os varejistas se mostram capazes de atender tais demandas, diz o relatório, criando uma “ruptura digital”. Com isso, três tendências importantes são identificadas:
• Não há um caminho único para a adoção digital. Enquanto todos os mercados estão se movendo em direção à adoção digital generalizada, alguns estão seguindo caminhos um pouco diferentes. Alguns mercados emergentes, por exemplo, estão pulando – totalmente – etapas de adoção anteriormente vivenciadas pelos mercados desenvolvidos.
• Um “formato” digital não atende a todos os clientes. O comportamento digital varia de acordo com fatores demográficos, como idade e renda, e também com o tipo de produto que está sendo procurado.
• Os consumidores estão exigindo melhores ferramentas digitais. As ferramentas e os canais digitais podem estender o alcance de visão estratégica de um varejista e aumentar sua receita, porém os clientes ainda estão se sentindo insatisfeitos e carentes com as atuais ofertas digitais disponibilizadas por grande parte dos varejistas.
“Atualmente, há uma diferença entre o que os consumidores esperam e o que os varejistas estão entregando em termos da evolução do desejo do consumidor em incorporar o mundo digital a sua experiência de compra na loja”, diz Vicky Eng, líder global do setor de varejo da Deloitte. “Alguns varejistas subestimam a influência digital, enquanto outros reconhecem a real oportunidade de capitalizar sobre essa ruptura digital”, finaliza Vicky Eng.
Brasileiras no ranking das 250 maiores varejistas do mundo
No ranking dos 250 maiores varejistas mundiais estão duas empresas brasileiras: a Lojas Americanas, que ocupa o 143º lugar, e a Magazine Luiza, em 217º. A segunda companhia, por sinal, destaca-se por ter subido 30 posições na pesquisa em relação ao ano passado, primeira vez que apareceu no ranking.
“Apesar do momento econômico desfavorável, as varejistas brasileiras conseguiram assegurar sua presença no levantamento global e ainda melhorar seu desempenho na avaliação em relação ao ano anterior, mostrando a capacidade de superar os desafios impostos pela crise que o país atravessa. Isso nos deixa otimistas para que nas próximas edições outros varejistas brasileiros alçassem este seleto ranking”, afirma Reynaldo Saad, líder da Deloitte para a indústria de varejo e bens de consumo.








