Indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos sente o impacto da alta carga tributária e trabalha com queda nas vendas
O setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, que historicamente vinha se mostrando mais resiliente ao cenário de instabilidade política e econômica, vem acumulando perdas há dois anos consecutivos. Além da retração econômica, a indústria de cuidados pessoais vem sendo impactada pelo aumento da carga tributária.
De acordo com informações que eu obtive junto a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, no ano passado, o faturamento do setor apresentou queda de 6% em relação a 2015, somando R$ 45 bilhões, já descontado o imposto sobre as vendas. Em 2015, a queda foi de 8%. Para este ano, o segmento projetava um aumento nas receitas entre 2% e 3%. Entretanto, diante dos resultados preliminares do primeiro trimestre, as previsões positivas já estão sendo revistas.
A verdade é que o aumento das alíquotas tributárias que começou em 2015 teve impacto direto em importantes categorias de cuidados pessoais. No Paraná, por exemplo, houve um aumento na carga tributária de 108% para os protetores solares. Em Minas Gerais, de 125% para creme dental. Já no caso de itens básicos como sabonete e papel higiênico, os impostos aumentaram 50%. Com isso, os consumidores que já estão com seus orçamentos apertados, passaram a comprar menos. Categorias ligadas diretamente à saúde, como produtos de higiene oral perderam posição no ranking mundial de consumo. O Brasil que era o terceiro maior consumidor mundial de creme dental caiu para a quarta posição. Do ponto de vista da saúde do brasileiro, isso significa que estamos dando um passo para trás.
Também o efeito cambial influenciou o resultado negativo. Como consequência, o setor acabou perdendo liderança no mercado mundial em outras categorias de reconhecimento internacional e essenciais no dia a dia, como a de cuidados para os cabelos. Nosso país que era o terceiro maior consumidor de shampoo do mundo, passou para o quarto lugar.
Apesar de tudo, o Brasil segue como um dos mais importantes mercados e o consumidor reconhece a essencialidade que os artigos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos representam para a manutenção da saúde e bem-estar. “Vamos continuar trabalhando fortemente para antecipar necessidades e entregar os melhores produtos para o brasileiro, destaca o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, João Carlos Basilio.


