Brasil precisa ser mais ousado no mercado internacional, apontam especialistas no 5º Fórum de Agricultura da América do Sul

Mesmo tendo um dos maiores Produtos Interno Bruto (PIB) do mundo, o Brasil continua tendo dificuldades no mercado internacional. Atualmente, o país responde por apenas 1,2% do comércio global, resultado da falta de uma política externa mais ousada, conforme análise dos especialistas presentes no 5º Fórum de Agricultura da América do Sul. O evento ocorre no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba (PR), e reúne mais de 500 participantes de todos os elos da cadeia produtiva do agronegócio.

Com exceção do Mercosul, o país não realizou acordos bilaterais ou regionais com grandes nações, tendo preferido apostar em negociações pela Organização Mundial do Comércio (OMC) – o que se mostrou uma estratégia equivocada, segundo o professor de comércio exterior da Universidade Positivo, Gustavo Iamin. “Europa, Japão e Coreia do Sul se basearam no modelo exportador após a Segunda Guerra Mundial e obtiveram sucesso. Comércio é uma via de mão dupla. É preciso importar para equilibrar a balança econômica”. Ele participou do painel “Mercado Internacional: desafios e oportunidades à exportação” que ocorreu nesta quinta-feira (24).

A consultora em negócios internacionais, Tatiana Palermo, que também debateu o tema, destacou o papel do agronegócio na expansão de mercado e na recuperação econômica do país – principalmente devido a capacidade de expansão da área plantada em aproximadamente 115 milhões de hectares. “A participação do agronegócio brasileiro no mercado mundial é de 7,04%. É preciso atenção nas altas tarifas de importação e uma maior agressividade no mercado para aumentar esse índice”, afirmou.

O crescimento da demanda por alimentos também devem contribuir para o ganho de mercado internacional. A projeção de crescimento populacional até 2050 é alta, estima-se que o número de habitantes no mundo chegue a quase 10 milhões. Aliada a essa expectativa, fatores como longevidade, fertilidade e alteração na renda per capita em diversos países têm reorganizado a demanda por alimentos no planeta. Atender a essa necessidade, exige atenção a aspectos que podem afetar o volume de oferta de produtos pelo setor.

Para o coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Renato Conchon, que participou do painel “Oferta e demanda: fundamentos que reorganizam a ordem global”, é preciso refletir sobre como o setor e o país vão se posicionar diante de uma mudança tão drástica e uma demanda tão grande. Por isso é importante estar atento aos alertas de crescimento e mudanças climáticas.
Outros dois assuntos foram pauta na programação de quinta-feira (24) do 5º Fórum de Agricultura da América do Sul. No painel “Russia: Grande Player do Inverno” o destaque foi o trabalho que o país tem desenvolvido ao longo dos últimos anos para assumir a liderança entre os principais exportadores de trigo. “O papel importante foi feito com sementes de alta qualidade, e também aumentando o maquinário agrícola”, destaca o membro do Russian Grain Union, Maksim Golovin.

Com o aumento da oferta do produto russo, nunca houve tanto trigo disponível no mercado, chegando a aproximadamente 737 milhões de toneladas, segundo o diretor do Sindicato das Indústrias de Trigo no Estado do Paraná (Sinditrigo-PR), Daniel Kummel. “O volume é muito grande e o consumo não acompanhou a produção. Consequentemente, o trigo vai sofrer efeito nessa campanha devido à quantidade disponível”, relatou.

No painel “Reconstrução da confiança e ampliação do mercado de carnes”, o consultor veterinário da Cobb-Vantress, Guilherme Castro, destacou que o país deve apostar no potencial da carne de frango, pois, atualmente, é o único exportador de aves livre do diagnóstico da gripe aviária. “Temos um sistema de integração extremamente profissional, gerando tecnologia no campo. O Brasil exporta tecnologia com profissionais e conhecimento”, concluiu.

Expedição Suinocultura

Durante o evento, ocorreu o lançamento da segunda edição da Expedição Suinocultura – projeto técnico-jornalístico que vai percorrer mais de 15 mil quilômetros pelo Brasil para construir um novo diagnóstico da atividade. “A carne suína é a proteína animal mais consumida no mundo. Vamos discutir sanidade, produção e mercado, mas também queremos quebrar paradigmas e mostrar que é uma carne saudável, e não é só o pernil do final de ano”, destacou o gerente do Núcleo de Agronegócio Gazeta do Povo e coordenador do projeto, Giovani Ferreira. Também participaram do lançamento o gerente técnico de suinocultura da MSD Saúde Animal, César Feronato, o supervisor técnico de suínos da Boehringer Ingelheim, Ricardo Lippke, e o diretor do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), João Luiz Regiani.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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