Empresas suecas pretendem ampliar presença no Brasil

As empresas suecas estudam ampliar as suas atividades no Brasil nos próximos três anos e mostram otimismo com as perspectivas de retomada da economia. Pesquisa realizada pela Câmara de Comércio Sueco-Brasileira (Swedcham Brasil) com o apoio da S/A Llorente & Cuenca Consultoria de Comunicação mostra que dois terços das companhias têm planos de investimento que preveem crescimento para a sua operação no médio prazo.
Os resultados incorporam a sétima edição do Swedish Business Climate in Brazil, levantamento anual realizado com 70 empresas suecas sobre sua atuação no País. De uma maneira geral, as projeções futuras de mercado são favoráveis. Mais de 88% das pesquisadas têm uma percepção de que os próximos anos terão um ambiente de negócios igual ou mais favorável que o de 2017.
“Os grupos suecos passaram pelos momentos mais desafiadores da história recente da economia brasileira e, agora, querem crescer junto com o País. Prova disso é que 35% das entrevistadas aumentaram o seu quadro de funcionários nos últimos 12 meses e 46% pretendem criar novos postos no próximo ano”, aponta Jonas Lindström, diretor executivo da Swedcham. “Nenhuma companhia demonstrou interesse em deixar o Brasil”, completa.
As principais razões apontadas para o otimismo foram o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e as reformas tributária e trabalhista em curso. O ambiente regulatório, a corrupção e a segurança foram citados como principais entraves para o desenvolvimento.
Outro destaque importante da pesquisa: 95,2% dos executivos consideram que um Acordo de Livre Comércio entre a União Europeia e o Mercosul seria importante para fortalecer o ambiente de negócios da região. Os blocos, que estão em negociação há mais de dez anos, correm para assinar um tratado ainda em 2017, movimento que tem sido visto com bons olhos pela comunidade internacional.
“O resultado mostra que os suecos acreditam na importância do Brasil se tornar um player no mercado mundial e estão prontos para enfrentar uma maior concorrência, consequentemente melhorando os índices brasileiros de produtividade”, avalia Jonas.
A pesquisa contou com apoio do Team Sweden Brazil, grupo formado pela Embaixada da Suécia, a Câmara, Consulados e Business Sweden.
Ética e Compliance
Considerando os problemas que as práticas antiéticas podem acarretar para o negócio, 81% das companhias suecas estabeleceram códigos de conduta no Brasil. Para as participantes da pesquisa, as relações com a administração pública representam o ambiente mais propício à corrupção.
Para cerca de 90% das entrevistadas, a situação política atual do País tem impactado negativamente o cenário de investimentos. O resultado é similar ao de 2016, quando 93% responderam algo semelhante.
Outro desafio ainda é a ampliação da presença das mulheres em cargos de comando dentro das organizações. Hoje, elas representam 31% da força de trabalho e apenas 19% possuem posições de liderança. O número é certamente maior do que o registrado em 2016, quando apenas 10% das vagas de chefia eram ocupadas por elas. Porém, ainda está muito longe dos níveis adequados de igualdade.


