Nova lei das terceirizações pede mais planejamento e gestão das empresas

A nova lei sobre as terceirizações, que já está em vigor no país, alterou as regras para contratação de serviços por parte das empresas, abrindo novas possibilidades de negócios e proporcionando mudanças no mercado de trabalho. Também a lei que modernizou a CLT, e que entra em vigor no dia 13 de novembro, traz regras sobre terceirização, ampliando ainda mais definições, abrangência e responsabilidades. Mas muitas empresas ainda têm dúvidas sobre como operar ou não estão cientes dos impactos que as novas regras vão trazer.

Esse foi o tema do encontro realizado nesta quarta-feira (18) na Amcham – Curitiba (Câmara Americana de Comércio). O debate foi conduzido pela gestora de riscos trabalhistas, Alessandra Lucchese, diretora do Instituto Brasileiro de Governança Trabalhista (IBGTr) e sócia da Becker Direito Empresarial.
A principal segurança que as novas leis trouxeram foi a de oficializar o direito de as empresas terceirizarem qualquer atividade, não somente aquelas conhecidas como secundárias, mas as atividades-fim, que até então era considerado fraude pelos tribunais trabalhistas. “Isso é animador para o ambiente de negócios, pois diminui a insegurança jurídica diante das intermináveis discussões do que é atividade fim ou de meio, permitindo às empresas decisões estratégicas mais adequadas ao seu core business, concentrando a gestão no foco da empresa. Não tenho dúvidas de que a terceirização poderá favorecer a médio prazo a criação de empregos no país, mas principalmente estimulará o nascimento de pequenas e médias empresas especializadas e dedicadas a atender etapas produtivas de determinados segmentos, como já acontece com as empresas sistemistas em torno das grandes montadoras”, diz Lucchese.

Para ela, as novas regras permitem que se pense em novos modelos de negócios, com mais agilidade nas operações e, muitas vezes, dependendo do caso, num formato mais competitivo e globalizado, e com mais eficiência, já que os serviços tendem a ser executados por empresas especializadas. “A liberdade de poder escolher terceirizar qualquer etapa produtiva do negócio é claramente a maior vantagem das novas leis, mas vieram junto regras muito claras e custosas que vão exigir dos empresários ainda mais planejamento, estudo e monitoramento constante dos terceirizados. A gestão de terceiros assumiu muitos graus de importância dentro de qualquer empresa com a possibilidade legal de terceirizar a atividade fim, reforçando esta gestão como um dos pilares de governança trabalhista”, completa.

Direitos

As novas leis afastam expressamente o vínculo de emprego entre a empresa contratante dos serviços e os trabalhadores terceirizados. Os textos estabelecem que a “empresa-mãe”, que contrata a terceirizada, responde de forma subsidiária se o trabalhador não conseguir cobrar direitos devidos pela empresa que o contratou, como já ordinariamente era decidido pelos tribunais.

No entanto, a prática conhecida como “pejotização” – pela qual a empresa contrata como prestador de serviços o próprio empregado, permanece vedada. Portanto, gerentes, secretárias, líderes de produção ou qualquer outro empregado não pode simplesmente se transformar em pessoa jurídica e continuar prestando o mesmo trabalho ao mesmo empregador. Esta situação será inevitavelmente considerada fraude pela fiscalização ou pelos tribunais.

A única hipótese a permitir que um empregado se transforme em “PJ” para prestar serviços à mesma empresa para a qual trabalhava é a de que haja um intervalo de 18 meses entre o desligamento do funcionário e o início do contrato como terceirizado, sendo a única exceção destinada ao empregado que se aposenta.

As novas regras também preveem que o acesso às instalações da empresa (banheiros, refeitórios etc.) e uso de equipamentos de segurança sejam iguais para funcionários contratados e terceirizados quando o trabalho do terceiro for exercido dentro das dependências da empresa que o contratou.

Lucchese salienta que permitir a terceirização de quaisquer atividades de uma empresa nada mais é do que colocar o Brasil alinhado com o mercado mundial, lembrando àqueles que consideram a terceirização o “fim dos tempos” que há inúmeros exemplos consolidados no mundo de que a terceirização não acabou com empresas e tampouco acabou com os empregos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *