Atacarejos crescem e ameaçam a sobrevivência de mercados de pequeno porte e até mesmo supermercados
O setor supermercadista, que é formado por mercearias, mercados, supermercados, hipermercados e atacarejos, faz parte da vida das pessoas. Diariamente, consumidores de todas as idades, localidades e classes sociais se dirigem a um desses estabelecimentos para fazer compras. Só para se ter uma ideia da importância do segmento, em todo o Brasil, são 89 mil lojas, que juntas movimentam, por ano, mais de R$ 384 bilhões, ou o equivalente a 5,4% do PIB.
Dentro do setor, as lojas em formato de atacarejo são as que têm apresentado maior crescimento, e têm impactado a atuação de mercados e supermercados. Muitas vezes, a própria sobrevivência do estabelecimento é ameaçada pela atuação dos atacarejos, que vieram para ficar. Diante dessa situação, o que o pequeno ou médio varejista pode fazer para enfrentar o crescimento dos atacarejos?
Para o consultor empresarial, Flavio Paim, é importante ressaltar que mesmo com o crescimento expressivo dos atacarejos, o maior número de lojas continua sendo no formato de vizinhança. Esse tipo de varejo representa hoje 51% do total de estabelecimentos do Brasil.
Dados do IBGE comprovam a importância da proximidade do estabelecimento na escolha do supermercado, independente da classe econômica dos consumidores, Ou seja, estar perto do consumidor é importante e pode ser decisivo. Porém, a proximidade é um conceito que envolve muito mais do que apenas localização.
Neste sentido, o consultor explica que para que exista proximidade é fundamental que haja envolvimento e empatia entre as partes. Por exemplo: em nossa sociedade é comum observarmos vizinhos de porta que não conversam e nem se conhecem. Portanto, estar perto fisicamente não significa proximidade. O mesmo vale para os supermercados. Para que uma boa estratégia de vizinhança tenha resultados é essencial que a loja esteja inserida em sua comunidade, envolvendo-se com o cotidiano das pessoas.
Além do envolvimento, um outro ponto fundamental para que uma loja possa diferenciar-se em um cenário altamente concorrido é o atendimento. A verdade é que nós nos acostumamos a denominar supermercados como varejos de autosserviço onde, como o próprio nome já diz, o cliente se serve e não é preciso atendê-lo. Talvez esse seja um dos maiores defeitos dos supermercados. De acordo com Flavio Paim não é necessário colocar um funcionário ao lado de cada consumidor. No entanto, uma loja de vizinhança pode (e deve) buscar se diferenciar no atendimento, procurando conhecer os seus clientes pelo nome, como qualquer bom vizinho faria. Ao se aproximar mais da clientela, o supermercado consegue trazer aos seus clientes uma experiência de compra melhorada, fazendo com que os resultados possam ser melhores e mais lucrativos.


