Empreendedores também choram

Rodrigo Mancini.

Os milhares de problemas e fracassos, acompanhados de suas respectivas emoções negativas que vivenciamos diariamente em nossos negócios, integram o processo para a conquista do sucesso. E ter esta consciência é fundamental para saber lidar com as dificuldades e não criar frustrações e problemas emocionais sérios no futuro.

Para alcançar o desejado sucesso nos negócios e ganhar dinheiro, de acordo com a recente “euforia motivacional” das redes sociais, você deve cultivar a positividade, o otimismo e o pensamento de que existimos apenas para o sucesso. A aversão ao fracasso e suas respectivas emoções “negativas” tornou-se pré-requisito para quem deseja empreender e ser bem-sucedido.

Mas, se você é um empreendedor, mesmo praticando a filosofia da positividade, com certeza já vivenciou algumas experiências não muito boas, como várias “portas na cara” ao tentar apresentar uma proposta; inúmeros e-mails elaborados com todo cuidado e que tiveram respostas extremamente mal educadas (ou nenhuma resposta); projetos que não tiveram êxito; os períodos sem remuneração; os inúmeros conflitos com clientes, colaboradores ou fornecedores; parceiros ou sócios que traíram a sua confiança e por aí vai.

Situações que, inevitavelmente, provocam raiva, tristeza, insegurança, medo e outros sentimentos considerados ruins. E, muito possivelmente, você se questionou: “Mas, por que estes acontecimentos e sentimentos, se eu pratiquei a positividade? O universo não deveria me devolver coisas boas? Onde foi que eu errei?” Bom, que o pensamento positivo e as boas vibrações são importantes, é indiscutível! Mas, “romantismos” à parte, é preciso colocar os “pés no chão”, principalmente quando o assunto é empreendedorismo.

No livro “Fama, fortuna e ambição”, Osho, com o seu radicalismo de sempre, traz um exemplo pertinente. Ele diz que Henry Ford apareceu no lançamento do livro de Napoleon Hill, “Quem pensa enriquece”, olhou para a capa e perguntou para Hill como ele havia chegado até ali. E Hill respondeu: “ônibus”. Neste momento, Ford devolveu o livro e disse para ele: “Quando você tiver pensado bastante em um belo carro e ele aparecer na sua garagem, traga este livro pra mim”. E a história não para por aí. Parece que Ford telefonava para Hill, de vez em quando, e dizia que se o carro não havia aparecido, ele deveria tirar o livro do mercado.

Se este encontro realmente aconteceu, eu não sei dizer, mas a provocação do autor faz todo o sentido. Então, você deve ignorar totalmente a filosofia positiva? Claro que não, o importante é não fantasiar e ter plena consciência de que a vida vai bater, e forte! E com a prática da positividade não estaremos imunes aos problemas, não seremos sempre corajosos e não estaremos livres de emoções negativas!

Reconhecer as experiências ruins e suas consequentes emoções é o primeiro passo para uma experiência positiva. Monja Coen, famosa pelos ensinamentos para autoconsciência e melhoria da qualidade de vida, faz reflexões bastante interessantes neste sentido, quando diz que devemos aceitar e observar os sentimentos de medo, ansiedade, raiva e tristeza que existem em nós. Pois, somente assim, conseguiremos transmutá-los. E ainda alerta: “Quando você esconde e finge que eles não existem, é que é problemático! Reconheça que são aspectos da mente humana. É através do lodo, da lama, do lixo que surge o lírio, que surgem as flores, que surgem as árvores. Eles são necessários.”.

Em outras palavras, os milhares de problemas e fracassos, acompanhados de suas respectivas emoções negativas que vivenciamos diariamente em nossos negócios, integram o processo para a conquista do sucesso. E ter esta consciência é fundamental para saber lidar com as dificuldades e não criar frustrações e problemas emocionais sérios no futuro. Por isso, se ficar triste e sentir vontade de chorar, chore! E sem vitimizações, utilize as lágrimas para regar o lírio e a positividade para levantar a cabeça e recomeçar.

O artigo foi escrito por Rodrigo Mancini, que é economista, Mestre e Doutor em geografia econômica, empreendedor e empresário.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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