Brasil precisa prospectar mercados e diversificar produtos para crescimento do agronegócio

Mesmo sendo um dos maiores produtores de alimento no mundo, o Brasil ainda tem dificuldades para se consolidar no mercado internacional, principalmente na prospecção de novos parceiros. Para conseguir atingir esse objetivo, a diversificação de produtos e a agregação valor, são algumas opções para o crescimento do agronegócio nacional, conforme análises dos especialistas presentes no 6º Fórum de Agricultura da América do Sul, evento que ocorre nos dias 23 e 24 de agosto no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba (PR).

No setor de proteína animal, o Brasil ainda encontra dificuldades em quebrar barreiras sanitárias internamente, o que impacta nas exportações nacionais. No painel “Carnes”, o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Inácio Kroetz, ressaltou a necessidade de agregar valor aos produtos brasileiros com alto status sanitário. “Precisamos atender a mercados ‘premium’ com estabilidade, qualidade e regularidade, além de segurança. Para isso, teremos que vencer algumas barreiras sanitárias que nós mesmos criamos”.

O diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Willy Alfaro, defendeu as barreiras sanitárias e fitossanitárias quando usadas de maneira legítima. “A OMC exige que essas medidas sejam baseadas em princípios científicos, harmonizadas com base em padrões internacionais. Além disso, não devem ser mais restritivas ao comércio do que o necessário”. Já o coordenador do Centro de Informação do Agronegócio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Paulo Rossi, avaliou que outros tipos de políticas externas atrapalham o desenvolvimento do setor. “Não podemos achar que essas barreiras são as únicas que podem impedir que nós avancemos nos embarques, ainda temos muitos pontos a discutir na exportação de produtos cárneos”.

O setor de grãos foi analisado durante o painel “Década de protagonismo e liderança na América do Sul”. O Diretor de Commodities da INTL FC Stone, Glauco Monte, destacou a importância de se inserir produtos industrializados nos acordos comerciais de exportação de insumos. “Precisamos nos preocupar para quem exportamos nossos insumos. Pois se a exportação de grãos cresce e a de carnes não, pode ser sinal que esses importadores estão utilizando esses insumos para o setor de proteína animal”. Segundado dados da consultoria, o Brasil exporta 77% de toda sua soja somente para a China, país que nesse ano embargou a importação de carne de frango brasileiro.

A consultoria ainda prevê crescimento de 19% da área plantada de soja e milho no Brasil até 2030, impactando no aumento de 38% da colheita de milho safrinha, resultando em 135 milhões de toneladas totais e 150 milhões de toneladas de soja. Na Argentina, a seca nas regiões produtoras do país impactou na colheita, reduzindo a safra desse ciclo, com 28 milhões toneladas de soja e milho em comparação com o ano anterior, segundo o coordenador de projeções da Bolsa de Cereal de Buenos Aires, Gonzalo Hermida.

Já para o Paraguai a expectativa para os próximos anos é positiva, com uma projeção de aumento de 13% na produção de soja nacional até 2028, equivalente a 14 mil toneladas. “Temos que cumprir alguns desafios para atingir esse índice, como por exemplo integrar nossa produção pecuária com a agricultura e melhorar nossa logística até os portos”, analisou o gerente da Agrotec, Sidinei Neuhaus.

Dentro desse setor, o México aparece como um possível parceiro para o agronegócio brasileiro, embora o Brasil precise buscar maior estreitamento de relações com o país. “O desafio é aumentar a presença de empresas brasileiras de diferentes portes e melhorar acordos fitossanitários e logísticos entre governos”, afirmou o presidente da Cámara de Comercio México-Brasil (Camebra), Miguel Ruiz. O especialista ressaltou o crescimento do país no setor e como a tecnologia tem contribuído pra isso. O painel sobre mercado contou também com a participação da diretora-executiva da Bolsa de Chicago, Susan Sutherland, que destacou que mesmo sofrendo os impactos das disputas comerciais entre China e Estados Unidos, o Brasil pode criar oportunidades para novos mercados.

Logística

Durante o painel sobre logística, o gerente operacional de portos da Cargill, Adriano Miranda, salientou as dificuldades do escoamento da produção brasileira em um cenário em que o modal rodoviário ocupa 58% da estrutura nacional. “Não adianta só ter porto e não fazer com que toda essa matéria-prima chegue até eles”.

A fim de auxiliar o produtor rural a ganhar em competitividade, a Embrapa Territorial desenvolveu um sistema de inteligência territorial focada em logística, que permite cruzamento de dados detalhados sobre o caminho de escoamento dos produtos. “Para o futuro, pensamos sempre na retrologística e em avançar em novas perspectivas, não só com o cruzamento de informações, mas também mostrar para o produtor qual a melhor rota a ser percorrida pela sua safra naquele momento”, afirmou o pesquisador da Embrapa Territorial, Gustavo Castro. Participou também do debate o diretor-presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), Lourenço Fregonese.

Produtor rural

A importância do produtor rural foi destacada pelo painel campo e cidade, no qual a representante no Uruguai do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Alejandra Sarquis, contou sobre como o governo do país criou programas públicos para a conscientização da população sobre a relevância do agronegócio, principalmente para crianças e adolescentes. A palestra contou também o coordenador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Antonio Florido, que contou como a equipe do Censo Agropecuário visitou mais de 7,5 milhões de estabelecimentos em todo país, com os recenseadores conseguindo encaminhar dados em tempo real para a análise. O material final foi divulgado no mês de julho e está disponível no site da entidade.

Programação

A programação continua nesta sexta-feira (24), com assuntos como cooperativismo, sustentabilidade e infraestrutura. Os painéis podem ser acompanhados ao vivo pelo site do Agronegócio Gazeta do Povo (www.gazetadopovo.com.br/agronego

Crédito da foto- Jonathan Campos/Gazeta do Povo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *