As eleições e a auditoria

As eleições e a auditoria

Empresas e pessoas buscam gerenciar os seus riscos às vezes com base em experiências do passado, às vezes com base nas vivências dos outros ou até mesmo com aquilo que entendem que pode acontecer no futuro. Para cuidar destes riscos, todos desenvolvem sistemas de controles, que às vezes nem percebemos que existem de tão natural que são realizados, sendo muito bem planejados e pensados.

Não ter controles gera inúmeras oportunidades para que erros, fraudes, distorções de mercado ou atos ilícitos sejam cometidos. No Brasil pré-eleitoral, quando falamos desses temas citados acima, é impossível não pensar na máquina pública, mais precisamente em corrupção.

Ainda assim, como todos já sabem, em época de eleições, todo político é contra a corrupção, mas durante o mandato o que vemos é uma realidade bem distinta. Acompanhando as campanhas políticas, já iniciadas, você já parou para olhar quais os candidatos e partidos que realmente levantaram o tema corrupção nos últimos anos? Aliás, você sabia que o Brasil tem uma Lei Anticorrupção? Já olhou se o seu candidato votou contra ou a favor? Apesar da corrupção atingir em cheio a máquina pública, é preciso dizer que toda a corrupção tem necessariamente dois agentes envolvidos, o corrompido e o corruptor, e cabe as duas partes o combate à corrupção.

Algumas companhias brasileiras sentiram na pele o preço da corrupção e tantas outras conseguiram entender, a partir do erro dos outros, que precisavam tomar ações imediatas para aumentar o nível de maturidade dos seus controles internos, para transformar e alavancar os seus negócios.

Voltando às eleições, um dos grandes desafios dos partidos políticos é o financiamento das campanhas eleitorais. Por isso, eles recorrem às grandes corporações à procura de recursos financeiros e, até mesmo, da utilização da estrutura corporativa em seu favor, como aviões, rede de contatos e outros benefícios.

Com a sanção da Lei Anticorrupção Brasileira e outras legislações, como a norma americana FCPA (Foreign Corrupt Practices Act), muitas companhias adotaram políticas de tolerância zero a doações a partidos políticos, entes públicos e partes relacionadas. É neste momento que a auditoria interna entra em ação com a avaliação dos processos existentes e testes de transações da companhia, que possam representar um risco. Por isso, é importante sempre avaliar:

· A sua empresa faz a diligência dos seus fornecedores, assim como dos beneficiados de doações (financeira ou produtos)?

· Existem políticas ou procedimentos que estabeleçam regras, alçadas e aprovações das doações?
· Existe um sistema ou banco de dados que mantenha disponível para consulta todo o histórico e documentação da relação com terceiros, entes públicos, beneficiários de doações?

Não poucas vezes, a auditoria interna percebe que, embora as diretrizes existam e sejam claras, as companhias tomam ações com liberalidade, visando um benefício ou uma troca em curto prazo. Mesmo que o contexto político brasileiro seja extremamente incerto e traga muita insegurança para todos, é certo que as companhias, que são responsáveis por um dos lados da corrupção, podem e devem tomar incontáveis medidas para melhorar os seus processos e controles e exigirem do mercado um padrão de negócios melhor.

O artigo foi escrito por Bruno Giometti, que é gerente sênior de Auditoria Interna e Assessoria Financeira da Protiviti.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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