Hospital Nossa Senhora das Graças completa 65 anos e tem muita história para contar

Hospital Nossa Senhora das Graças completa 65 anos e tem muita história para contar

Quem passa pelo bairro Mercês, nem imagina que o Hospital Nossa Senhora das Graças tem uma rica história de dedicação, estudo e muita força de vontade. Para compreender melhor é preciso voltar no tempo, há exatamente 114 anos.

Tudo começou em 1904, quando a pedido de imigrantes poloneses, 49 irmãs das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, vieram da Polônia para Curitiba. “Os poloneses sabiam dos trabalhos que as Irmãs desenvolviam lá na Europa e morando em Curitiba pós-guerra, queriam que seus filhos tivessem no Brasil a mesma educação e assistência que as Filhas da Caridade realizavam”, conta Irmã Mafalda Genoveva Narzetti , uma das Irmãs veteranas do HNSG, que acompanhou o início da história. O convite foi feito pelo primeiro Bispo de Curitiba, Dom José de Camargo de Barros. Dessa forma, elas vieram para o Brasil com o intuito de fundar escolas e ajudar os colonos.

Assim que chegaram na cidade, as Irmãs realizavam visitas a domicílios das famílias carentes de Curitiba, e expandiram suas obras nos setores educacional, social e de saúde. Com o passar dos anos, sentiram falta de um hospital para atendimento aos mais carentes – pois na época existiam poucos hospitais públicos para atendimento a não pagantes, que se encontravam sempre lotados. E foi assim que a Irmã Estanislava Perz, uma pessoa com grande bondade, retidão e visão de futuro teve a ideia de fundar um hospital, com o propósito de atender as Irmãs, pessoas mais carentes e também que fosse um campo de estudo para a enfermagem e médicos.

Em 1947 a Irmã Estanislava fez uma reunião de Conselho a respeito da fundação de um Hospital, com a participação dos médicos Edvanio Donato Tempski e Nelson Roseira Gomes, Irmã Joana Lukwinska, Irmã Genoveva Valenga, Irmã. Iris Maria Teixeira e Padre Ludovico Bronny. Foi por causa dessa reunião que o Hospital foi nomeado Nossa Senhora das Graças, pois ela aconteceu no mês de maio, consagrado à Maria, ela seria então sua guardiã. E no dia 4 de outubro de 1953, finalmente nascia o Hospital Nossa Senhora das Graças.

Inicialmente pequeno e modesto, o Graças possuía apenas 100 leitos e 18 médicos, e se resumia ao pequeno prédio na rua Prof. Rosa Saporski, onde funciona hoje o pronto-atendimento. Hoje, o Graças ocupa uma quadra inteira do bairro Mercês, possui 243 leitos e mais de 2500 profissionais, entre médicos, colaboradores, Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo e parceiros. “Para o hospital se tornar o que é hoje encontramos muitas dificuldades, mas nunca pensamos em desistir, mesmo nos tempos difíceis, nossa dedicação foi sempre pensando nos pacientes que precisavam do hospital”, comenta Verônica Tartas, Irmã Filha da Caridade de São Vicente de Paulo, uma das primeiras diretoras da Instituição.

Bairro Mercês

O bairro Mercês foi escolhido por já existir casas da província e também pela proximidade com a Igreja Paroquial Nossa Senhora das Mercês (Igreja dos Capuchinhos), que foi um fator facilitador em prol do atendimento aos pacientes pelos freis capuchinhos. Nessa época a região era pobre e alagada. Era necessário andar de galochas. A maioria dos funcionários moravam no hospital, pois onde moravam era muito longe e não tinham como ir embora.

Teste de Gravidez por Galli Mainini

Na década de 60, descobrir se uma mulher estava grávida não era tão simples como nos dias de hoje. Na época utilizava-se a técnica Reação de Galli Mainini, com ajuda de sapos.A urina da mulher supostamente grávida era colhida e injetada em sapos machos do gênero Bufo. Após algumas horas a urina do sapo era colhida da cloaca do animal e analisada em microscópio para observação de possíveis espermatozoides. O hormônio Gonadotrofina Coriônica presente na urina de mulheres grávidas estimula a produção de espermatozóides no sapo e caso a observação da urina do sapo em microscópio apresentasse espermatozóides o resultado era considerado positivo. As próprias Irmãs, colaboradores e médicos partiam em busca dos animais nos terrenos alagados próximos ao Hospital. Ainda, alguns amigos doavam animais trazidos de suas chácaras.

“Taxista: chama o Doutor!”

Quando ainda não era tão comum possuir aparelhos telefônicos nas residências, os médicos plantonistas do Graças eram avisados por taxistas para virem até o hospital prestar algum atendimento. Se o médico não estivesse em casa, ele deixava um bilhete com o endereço para o taxista lhe encontrar.

Capilé

Nos anos 60 o capilé era a bebida preferida dos cirurgiões para aguentar as longas cirurgias. A bebida de groselha era preparada com água ou leite pelas Irmãs do Hospital. Os médicos bebiam antes da cirurgia ou durante (neste caso com um canudinho servido por alguém) para dar energia e para evitar que tivessem uma crise de hipoglicemia durante as horas em que realizava a cirurgia.

Primeiro elevador

Nos primeiros anos do HNSG, todo deslocamento para levar e trazer pacientes era feito por escadas. O primeiro elevador foi um presente de Arlindo Araújo Sobrinho, que na época era proprietário das Indústrias Antisardina e percebendo esta necessidade, gentilmente ofertou para a instituição. Este gesto nunca foi esquecido pelas Irmãs.

Chapéu Corneta

Na época em que o HNSG foi fundado, as Irmãs utilizavam o chapéu, corneta na cor branca. Para fazê-lo era preciso engomar um pano retangular sobre uma superfície plana e somente depois de seco, era dobrado para adquirir o seu formato tradicional. Com a corneta, as Irmãs usavam uma touca também em tecido branco, que cobria os cabelos, e se prolongava na forma de duas palas também engomadas.

A medicina

Na década de 50 existiam poucas tecnologias, os médicos tinham apenas o laboratório e o raio x como apoio. Para saber se estava tudo bem com o bebê os médicos utilizavam um estetoscópio de madeira para ouvir os batimentos do feto nas mulheres grávidas. E como não existia ultrasom era feito um raio x para o médico saber como o feto estava. Também não existia UTI, casos graves o médico e o enfermeiro passavam a noite junto com o paciente, ao lado dele. Os médicos estudavam medicina e aprendiam por meio de livros franceses, ingleses e espanhóis. Na época uma paciente ingeriu uma planta que fez mal, e o médico foi até o local para investigar qual planta era. As Irmãs eram as “enfermeiras” do hospital. Iam fazer curso de enfermagem em SP e RJ.

Clube da Soda

Na década de 60 foi fundado o Clube da Soda, para dar atendimento às crianças portadoras de lesão do esôfago por ingestão acidental de soda cáustica. O médico Dr. Hélio Brandão foi quem iniciou este atendimento. Um grupo de senhoras da sociedade curitibana, muitas delas eram esposas de médicos, ajudavam com campanhas para arrecadar fundos. A Irmã Terezinha Remonatto reuniu o primeiro grupo de voluntárias. O HNSG teve participação na Lei Federal para não vender Soda no mercado. E em 1989, a comercialização da soda passou a ser controlada, o que reduziu significativamente os acidentes, resultando na desativação do clube.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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