2018 foi um ano difícil para o setor de franquias, com pouco diálogo entre franqueadores e franqueados


O ano de 2018 não foi um período fácil para qualquer setor econômico. No caso das franquias, em função da instabilidade econômica e política, do desemprego elevado e da redução no consumo houve queda no desempenho, o que acabou se traduzindo em menos royalties e fundo de propaganda. Para quem não sabe, são os royalties que mantêm a estrutura da franqueadora. É por meio deles que a equipe é remunerada, investe-se em inovação e em suporte. Com menor arrecadação e também com o aumento da inadimplência do franqueado, todo este contexto foi abalado.
Diante desse quadro, algumas empresas de franquia aproveitaram a oportunidade para se estruturar. Porém, uma boa parte optou por dispensar mão de obra qualificada, trocando a equipe por profissionais com salários menores, mas, bem mais despreparados, causando deficiência na gestão.
Outro ponto preocupante que se pode observar ao longo deste ano foi um movimento de tensão e pouco diálogo entre franqueadores e franqueados. De acordo com a especialista em Franquias, a advogada Melitha Prado, muitas redes entraram em litígio, nos últimos 12 meses, e houve pouco espaço para negociação, o que não se via há muito tempo.
Para 2019, há uma percepção positiva tanto por parte dos franqueadores quanto dos franqueados para o desempenho da economia, o que poderá fazer com que muitos projetos saiam do papel. Entretanto, a especialista diz que algumas ações devem estar no radar dos empresários do setor que desejam ampliar seus negócios no ano que se inicia.
Para os franqueadores, em primeiro lugar a recomendação de Melitha Prado é selecionar melhor os franqueados e administrar os conflitos, preservando o relacionamento. Outros pontos que não podem ser esquecidos em 2019 são a realização de um bom planejamento tributário e investir em treinamentos para capacitar a equipe.
No caso dos franqueados Melitha Prado recomenda que eles deem mais atenção à comunicação vinda da franquia e ficarem atentos a tudo que acontece na rede. A troca de experiência será fundamental em 2019, para que as marcas tenham novas ideias e se diferenciem, ainda que, por exemplo, tenham poucas verbas para publicidade.
Na parte financeira, a advogada alerta que é importante que, com a retomada do ritmo econômico, as contas pessoais não se misturem às empresariais. Quem deve aluguel, funcionários, royalties, fundo de propaganda e fornecedores, por exemplo, deve priorizar esses pagamentos, para recuperar a adimplência. E é preciso também estar atento ao capital de giro, que não compõe a receita da franquia.








