O desafio de se manter no mercado telecom com um dos maiores ICMS do país

O desafio de se manter no mercado telecom com um dos maiores ICMS do país
Carlos Eduardo Sedeh.

Um dos valores que mais pesam no bolso do contribuinte são os tributos sobre o consumo, que incidem sobre os bens/serviços adquiridos. No setor de telecomunicações, o principal é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que em 2017, arrecadou, de forma geral, mais de R$ 400 bilhões, de acordo com dados disponibilizados pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

As alíquotas de ICMS, que recaem sobre os serviços de telecom podem alcançar 37%, dependendo do Estado onde está sediada a empresa prestadora dos serviços. Numa conta de telefone e internet no Estado de São Paulo, cujo valor total é de R$ 100, por exemplo, mais de R$ 41 são impostos. Se fosse em Rondônia, local bastante defasado em competição e infraestrutura, alcançaria o valor absurdo de R$ 70.

Se o ICMS fosse uma entidade, seria a sócia majoritária desse setor. Por incidir sobre o consumo, na 1ª linha do balanço da empresa, independentemente se a operação está lucrativa ou não, acaba onerando sobremaneira as empresas. Isso porque, após pagá-lo, com o que sobra, entram todos os custos de operação, salários, despesas, investimentos, financiamentos, entre outros.

Serviços como banda larga e telefonia móvel precisam receber um novo tratamento do Governo e serem considerados, de fato, essenciais para o desenvolvimento do país. Isso significaria aplicar uma redução gradativa nas alíquotas dos impostos para patamares correspondentes a importância estratégica dos serviços de telecomunicações no desenvolvimento social do país.

Atualmente, se ouve falar das novidades da Indústria de telecom, como a rede 5G, a Internet das Coisas (IoT), entre outras. As empresas do setor estão, neste momento, estudando as melhores formas de fazer investimentos necessários para a entrega desses serviços. Infelizmente, o governo não enxerga a necessidade de promover discussões sobre um modelo efetivamente sustentável de impostos para o setor de telecom. Se a porcentagem de tributos sobre o consumo, na média, não fosse 40% e sim 20%, sobrariam 20% a mais, da Receita Bruta, para investimentos. Já está mais do que comprovado que uma sociedade, tendo uma Internet com qualidade de ponta (fixa e móvel) e acessível, ganha muita força na inclusão social, no aumento de produtividade e melhora da cultura, entre outros aspectos que impactam positivamente um país.

Aguardo, ansioso, que esse novo tempo de mudanças traga luz quando tratamos dessas questões dos impostos, que sempre são abordadas oportunamente, mas pouco, ou nada, alteradas. Para problemas complexos não há soluções simples. Contudo, construir uma alternativa de longo prazo deveria ser um objetivo perseguido pelo setor e pela sociedade civil.

O artigo foi escrito por Carlos Eduardo Sedeh, que é CEO da Megatelecom, empresa que oferece serviços personalizados na área de telecomunicações.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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