Brasil: saída do labirinto econômico em 2019?

Inquestionavelmente, os brasileiros acompanham a ampliação do clima de otimismo reinante entre os agentes econômicos, produzido a partir da vitória de Jair Bolsonaro ao cargo de presidente da república e o subsequente anúncio, livre de surpresas, dos futuros membros da equipe de governo e esboço de prováveis providências desapegadas daquelas inclinações intervencionistas e populistas predominantes no passado recente, que ocasionaram múltiplos estragos ao tecido econômico e social do país.

Para colaborar, emergiu um quadro macroeconômico menos pesado, marcado por diminutas pressões inflacionárias, queda (embora vagarosa) dos juros bancários e, por extensão, do endividamento e inadimplência de empresas e famílias e discreta recuperação do emprego e dos níveis atividade.

Tal episódio positivo é resultado essencialmente da estratégia “feijão com arroz”, empregada pelo Banco Central (BC) desde fins de 2016, reforçada pela conjugação virtuosa entre patamares recordes de produção e produtividade do setor rural e cenário exógeno benigno, completando, em 2018, uma série de nove anos ininterruptos de expansão dos negócios em escala global.

Não obstante, parece razoável admitir dias difíceis para a administração entrante em janeiro de 2019, em face da virtual paralisação do setor público, por conta das barreiras compostas pelo enorme passivo governamental, erguidas durante os cinco anos de participação direta e ativa de Dilma Rousseff na gerência da nação, das inevitáveis dificuldades a serem enfrentadas pelo executivo na montagem da base legislativa de amparo à tramitação, discussão e aprovação das indispensáveis reformas estruturais, e da reversão do bônus internacional.

A propósito desse último ponto, convém sublinhar que o Brasil perdeu a viagem de quase uma década conduzida pelo trem de crescimento da economia mundial, iniciada com a superação da crise provocada pelo default do mercado hipotecário de segunda linha dos Estados Unidos (EUA), denominado subprime, no triênio 2007-2009.

Mais precisamente, enquanto a renda per capita global praticamente manteve, no intervalo 2010-2018, a variação média de 2,5% ao ano, experimentada entre 2000 e 2009, os estados avançados elevaram a intensidade de acréscimo deste agregado de 1,1% a.a., no lapso 2000-2009, para 1,5% a.a., entre 2010 e 2018, e os emergentes reduziram o ímpeto de 4,4% a.a. para 3,7% a.a., em igual período, o Brasil conviveu com dramática contração de 2,1% a.a. para 0,4% a.a., típica de situações de crônica estagnação, conforme explicado pela teoria econômica nos capítulos da dinâmica pendular do capitalismo.

A mudança desse panorama estruturalmente desfavorável no Brasil representa tarefa hercúlea em condições de contração do embalo no front internacional, consequência da continuidade da desaceleração dos lideres asiáticos (China e Japão) e do drástico enfraquecimento da economia europeia, motivado por eventos políticos como os percalços que atingem Macron, na França, a substituição de Merkel, na Alemanha, o conflito entre Itália e União Europeia, acerca das metas fiscais, as inquietações quanto aos desdobramentos do Brexit, na Inglaterra, e a crise turca.

Não menos relevante aparece algumas travas à economia norte-americana, determinadas pela tentativa de Trump de esticar o crescimento econômico, por meio de frouxidão fiscal e deflagração de guerra comercial contra a China, que, em circunstâncias de operação do aparelho de produção próximo ao pleno emprego, serviu apenas para aprofundar os desequilíbrios comerciais com os demais países e provocar focos inflacionários de demanda, sufocados pela precipitação de rodadas de elevação de juros pelo Federal Reserve (Fed), banco central daquela nação.

Nesse contexto, caberá ao grupo de profissionais do primeiro escalão de Bolsonaro, encarregados do trabalho de fazer a roda da economia voltar a girar mais rápido por essas paragens, a criação ou revitalização de mecanismos e instituições capazes de, em curto prazo, consolidar o curso de restauração da confiança dos atores (consumidores, corporações e investidores) nas diretrizes e acenos específicos do programa do mandatário eleito, e, em médio prazo, permitir o vislumbre de elementos estruturais de equilíbrio macroeconômico e diminuição de custos e impulsão da eficiência da microeconomia, factíveis somente com o encaminhamento da pauta e implantação do bloco de reformas.

Até aqui, o que se enxerga é um organismo de atividades e transações ainda em marcha lenta, numa espécie de labirinto, na busca de portas de saída da recessão, acontecida entre 2014 e 2016, e da semiparalisia observada em 2017 e 2018, e de ingresso em um campo fértil para plantio e colheita de um novo ciclo de prosperidade.
Apenas para enfatizar, depois de ter encolhido -8,5% entre abril de 2014 e dezembro de 2016, o produto interno bruto (PIB) do país experimentou incremento de apenas 2,5% entre janeiro de 2017 e outubro de 2018.

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, que é economista, consultor, professor da FAE Business School e ex-diretor presidente do IPARDES.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *