O que o investimento do PayPal no Mercado Livre significa para o varejo nacional?

O que o investimento do PayPal no Mercado Livre significa para o varejo nacional?

O investimento que a gigante americana de meios de pagamento PayPal irá fazer no Mercado Livre pode significar uma mudança na forma como conhecemos o varejo hoje. O valor do aporte, que chegará a US$ 750 milhões, serve especialmente para consolidar sua operação na América Latina – em especial no Brasil -, além de brigar de frente no quesito serviços para os lojistas da sua base e também no aprimoramento da sua solução de pagamento – o Mercado Pago.

O que devemos ver daqui para frente é que o setor, que já passa por transformações não só em razão de um aumento de competitividade, mas também pelos novos hábitos dos consumidores, passará a disputar a tapa cada etapa da jornada de compra. E aqui estamos falando não somente da aquisição do produto, mas também da forma como a compra será recebida e como o pagamento será efetuado.

O Mercado Livre hoje é líder em participação no segmento de marketplace no País, com cerca de 30% do share. A competição, porém, está se acirrando, não apenas pela expansão dos principais players nacionais do setor, como B2W, Via Varejo e Magazine Luiza, mas, sobretudo pela tão temida entrada da Amazon no Brasil. Por isso, com toda a estrutura operacional, tecnológica e logística que essa pode proporcionar para os lojistas, é natural que o Mercado Livre busque formas de se resguardar.

Na parte de serviços de pagamentos, atualmente, a companhia possui mais de 1 milhão de cartões emitidos nas suas operações de Brasil, México e Argentina. Isso significa uma força muito grande na briga pelo público desbancarizado e na oferta de serviços de digital wallet. Isso é particularmente significativo, principalmente pela pluralidade de perfil que a empresa possui dentro da sua base. Ou seja, todas as vendas efetuadas dentro do Mercado Livre viram crédito no Mercado Pago, a menina dos olhos da empresa, que busca intensificar certas estratégias para se diferenciar dos demais players do segmento – sobretudo do PagSeguro, a principal força concorrente nessa frente.

Para reforçar sua atuação nesse sentido, o foco será em oferecer novas tecnologias e formas de pagamento. Isso significa implantação de modalidades como autenticação biométrica e “tokenização” para pagamentos eletrônicos. Para isso, a companhia reafirmou o seu acordo com a operadora de cartões Mastercard. Há mais de três anos as empresas trabalham em conjunto. A aliança incluiu o lançamento de cartões pré-pagos que espelham o saldo digital do Mercado Pago e que permitem que pessoas paguem compras online e offline com a bandeira.

Neste cenário, em que as empresas que atuam no setor são protagonistas no controle de operações financeiras e na oferta de serviços de mesma natureza, é evidente que esse movimento gere impactos no varejo nacional. E o PayPal observa isso com olhos atentos. O próprio CEO da empresa afirmou que o comércio digital na América Latina está experimentando um enorme crescimento, e que a companhia vê as oportunidades de integrar os seus recursos para criar experiências únicas e valiosas para os seus clientes. Na prática isso significa passar a ter uma participação mais clara no país na oferta de serviços de pagamentos.

Analistas de mercado inclusive já consideram que um dos principais impactados da entrada do PayPal no Mercado Livre será evidentemente o PagSeguro. Em relatório, analistas do Bradesco BBI afirmaram que a operação deve fornecer fundos sólidos para um despertar no mercado de meios de pagamento no Brasil, o que deve aumentar a pressão competitiva em cima do PagSeguro, empresa que já apontou o Mercado Livre como uma fonte potencial de competição.

Todas essas soluções tecnológicas que impactam na forma como são efetuadas as operações de serviços financeiros e os próprios meios de pagamentos são extremamente estratégicas para as varejistas, que veem nisso uma forma de impulsionar os seus negócios. As grandes varejistas que possuem ações negociadas na bolsa brasileira sofreram perdas no dia do anúncio – o que mostra que o mercado está atento a esse movimento. Com o Mercado Livre atuando de forma mais intensa, sobretudo com o respaldo do PayPal, é possível imaginar que veremos essa briga se acirrar. E as demais empresas precisam se mexer e trazer soluções que realmente sejam valiosas para o setor, ao mesmo tempo que protegem suas marcas.

O artigo foi escrito por Victor Dubugras, que é Head de Marketing da Hash, fintech especializada em infraestrutura de pagamentos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *