PIB cai 0,4% em fevereiro

O Monitor do PIB-FGV aponta, na série com ajuste sazonal, retração de 0,4% da atividade econômica em fevereiro, em comparação a janeiro e estagnação no trimestre móvel findo em fevereiro (trimestre dez/18-jan-fev/19 comparado ao trimestre set-out-nov/18). Na comparação interanual, a atividade econômica apresentou resultados positivos com crescimento de 2,3% no mês, com retrações registradas apenas na agropecuária (-0,2%), na extrativa mineral (-8,8%), no consumo do governo (-0,6%) e, nas importações (-10,0%).
“O recuo de 0,4% do PIB em fevereiro, de acordo com o Monitor do PIB-FGV, é consequência das retrações nas três grandes atividades econômicas (agropecuária, indústria e serviços). Apesar disso, os resultados interanuais mostram melhora substancial da economia, tanto pelo lado da oferta quanto pelo lado da demanda.
Essas variações opostas retratam o cenário econômico vivido atualmente no país: a economia ainda evolui positivamente com relação ao ano de 2018, porém não consegue reagir em 2019 dada a grande incerteza com relação ao cenário político e as reformas necessárias para que a economia deslanche. Aparentemente a economia está em modo de espera”, afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.
Na comparação com o mês imediatamente anterior, na série livre de efeitos sazonais, a atividade econômica retraiu 0,4% em fevereiro. Com relação ao mesmo mês do ano anterior, no entanto, a atividade apresentou crescimento de 2,3%, em fevereiro A elevada variação negativa registrada na extrativa é resultado do desastre de Brumadinho, ocorrido em janeiro. No caso da importação, a forte queda deveu-se, principalmente, ao “efeito base” da importação de plataformas em fevereiro de 2018.
Demanda
A análise desagregada dos componentes da demanda foi feita usando a série trimestral interanual por apresentar menor volatilidade do que as taxas mensais e aquelas ajustadas sazonalmente permitindo melhor compreensão da trajetória de seus componentes.
Consumo das famílias
O consumo das famílias cresceu 2,0% no trimestre móvel findo em fevereiro, em comparação ao mesmo trimestre no ano anterior. O consumo de serviços ainda representa a maior parte do total do consumo das famílias, embora o consumo de bens tenha reagido em fevereiro: o consumo de bens duráveis cresceu 10,3%, na taxa mensal, em fevereiro enquanto o consumo de bens semiduráveis cresceu 7,5%.
Formação bruta de capital fixo
A FBCF, cresceu 2,5% no trimestre móvel findo em fevereiro, em comparação ao mesmo trimestre no ano anterior. Todos os componentes apresentaram contribuição positiva com destaque para o crescimento de máquinas e equipamentos que cresceu 4,7% no trimestre; sendo, novamente, o componente que mais contribuiu para o crescimento dos investimentos.
Exportação
A exportação apresentou crescimento de 7,0% no trimestre móvel findo em fevereiro, comparativamente ao mesmo trimestre de 2018, desacelerando o ritmo de crescimento. A exportação de produtos da agropecuária (48,4%) e da extrativa mineral (22,8%) contribuíram para o crescimento da taxa. Os destaques negativos são referentes a exportação de serviços (-6,6%); de bens de consumo, com bens de consumo duráveis retraindo 42,7%; e bens de capital (-4,7%).
Importação
A importação apresentou retração de -2,4% no trimestre móvel findo em fevereiro, comparativamente ao mesmo trimestre em 2018. A principal contribuição negativa é da importação de serviços (-8,1%) e dos bens industrializados (a importação de bens de consumo duráveis retraiu -16% e de bens de consumo não duráveis, -7,3%).
Valores
Em termos monetários, o PIB em valores correntes alcançou a cifra de aproximadamente 1 trilhão, 153 bilhões, 746 milhões de Reais no acumulado do ano até fevereiro. A partir das informações disponibilizadas em valores correntes e a preços constantes de 1995, foi calculada a taxa de investimento (FBCF/PIB) mensal brasileira.
A série histórica, iniciada em 2000, analisada a preços de 1995, mostra que, em janeiro de 2000, a taxa de investimento era de 18,3%. Passados mais de dezenove anos, esta taxa é de apenas 17,8% em fevereiro de 2019. Vale registrar que o ápice de toda a série histórica foi em outubro de 2013, em que a taxa de investimento foi de 24,2%, a preços constantes.








