Big Brother tributário

Big Brother tributário
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Marco Aurélio Pitta.

O ambiente econômico mundial tem se tornado cada vez mais complexo. São muitas variáveis de mercado que influenciam o sucesso de uma organização. Mas no Brasil temos um fator adicional: o ambiente tributário. São diversos motivos que tornam o cenário desafiador para as empresas em nosso país. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), existem hoje em vigor no Brasil 63 tipos de tributos e quase cem tipos de obrigações acessórias diferentes. Um estudo do Banco Mundial, de 2018, denominado “Doing Business”, aponta que o Brasil é o número 184 quando o tema é “pagamento de impostos”, dentro de um universo de 190 países. Demoramos, em média, mais de 1.950 horas por ano para efetuar este tipo de procedimento para atendimento ao Fisco. Somos os campeões mundiais nesse quesito.

Mas os problemas não param por aí. A carga tributária brasileira supera os 32% sobre o PIB, segundo estudos da Receita Federal de 2017. Ou seja, em torno de um terço da geração de riqueza em nosso país é comprometido com os tributos. A nossa sistemática tributária atual prejudica o consumo, principalmente com ISS, ICMS, PIS e COFINS. A tributação sobre o lucro também é alta: este ano, o Brasil se tornará o país que mais tributa os rendimentos das empresas, passando o posto da França.

A alta carga tributária se justifica, em parte, pelo fato de haver excesso de concessões de benefícios fiscais e sonegação por parte de alguns contribuintes. Tais situações, se diferentes e bem cuidadas pelo nosso Governo, população e empresários, teriam potencial de redução de carga tributária. Além do mais, a alta sonegação fez com que o Brasil virasse um exemplo quando o tema é “Fiscalização”. Em 2017, a Receita Federal bateu o recorde de autuações: R$ 205 bilhões. E parece ser uma relação de causa e efeito: quanto mais sonegação pelos contribuintes, maior a fiscalização em nosso país.

Diante de todos esses pontos, resta ao contribuinte se preparar. Um verdadeiro “big brother fiscal” está por vir. Quem é da área tributária já ouviu falar de um tal de “T-Rex” da Receita Federal: um supercomputador que promete cruzar dados importantes do contribuinte, de maneira efetiva, considerando todo o histórico financeiro, além de dados do Ministério Público, Policia Federal, Juízes e o COAF.

Por isso, as empresas precisam tomar um cuidado muito grande. Mesmo que seja um desejo, diante de toda complexidade acima, é muito difícil uma organização passar ileso ao fisco, mesmo que de forma não proposital (um erro pode acontecer). Assim, o termo “Governança Tributária” ganha forças entre as companhias brasileiras. A tecnologia tem ajudado neste quesito. Várias soluções ajudam os contribuintes a monitorar todas as suas entregas fiscais. Robôs ajudam a fazer atividades transacionais. Verdadeiros “workflows” ajudam os responsáveis pelas contabilidades a não passar nada em branco. O segredo é se antecipar. Deixar o Fisco chegar perto da empresa é um erro. Muitas organizações focam em planejamento tributário, mas esquecem dos cuidados acima. A Governança Tributária pode ajudar nisso, principalmente evitando riscos fiscais. Este sim deve ser o primeiro planejamento tributário que todas as empresas deveriam adotar. Tomar todos estes cuidados fazem com que os empresários fiquem mais tranquilos na condução de seus negócios.

O artigo foi escrito por Marco Aurélio Pitta, que é um dos coordenadores do MBA em Governança Tributária a distância da Universidade Positivo e professor de programas de MBA nas áreas Tributária, Contábil e de Controladoria.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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