Mercado musical analisa profissionalização e estratégias nas mídias digitais

Artistas e profissionais da música estiveram presentes nesta terça-feira (16), no Sebrae/PR, para debater o atual cenário da música brasileira, a utilização de plataformas e ferramentas, as mudanças causadas pelos meios digitais e estratégias de crescimento para que o artista possa se diferenciar em meio à concorrência. O evento Giro Digital ABMI, produzido pela Associação Brasileira de Música Independente, contou com a participação de músicos, produtores, representantes de gravadoras e distribuidoras e com palestras de profissionais renomados de todo o país.
“Esse é um segmento significativo para o Brasil, mas ainda carente de espaços para debates sobre o mercado. Durante as palestras, os participantes trocaram experiências, conheceram novas plataformas e ferramentas para impulsionar trabalhos e ampliar suas possibilidades enquanto empresas”, afirma a consultora do Sebrae/PR, Marcia Giubertoni (foto).
Para a diretora-executiva da ABMI, Elisa Queirós, o evento democratiza o acesso à informação sobre o mercado musical pelo País. O Giro Digital ABMI já passou por São Paulo e Curitiba e terá suas próximas edições em Brasília, Recife, Santa Rita do Sapucaí (MG) e Rio de Janeiro.
Capacitação
“Essa transformação digital da música traz muitas dúvidas para os profissionais e uma das nossas tarefas é realizar essa capacitação a nível nacional, para ampliar o acesso à informação que fica concentrado no Eixo Rio – São Paulo. Queremos estimular outros mercados e expandir”, afirmou.
Elisa expôs um panorama do mercado musical do Brasil, o 10º maior do mundo, com um faturamento de US$ 298,8 milhões, e que vem se destacando com a popularização do streaming e com grande participação das vendas em mídias digitais. Segundo ela, mesmo com problemas de infraestrutura e de capacitação, o interesse de investidores pelo mercado musical brasileiro é cada vez mais crescente e abre espaço para novos artistas.
Mas como se destacar em um segmento tão concorrido? Segundo Marina Mattoso, CEO da Jangada Comunicação, agência responsável pela comunicação digital de grandes artistas brasileiros como Anitta, Gilberto Gil e Maria Rita, o grande diferencial do artista é apostar na gestão de sua própria carreira.
“O artista tem que entender que ele é uma marca e precisa zelar por ela. Precisa aprender e planejar seus próximos passos. Para um artista independente é preciso ter criatividade, diversificar estratégias e ser pró-ativo para ganhar o seu espaço. Sem essa consciência ou se não apostar em pessoas de confiança para isso o crescimento é muito difícil”, analisa.
Marina ofereceu ao público algumas dicas para oferecer um conteúdo com engajamento nas redes sociais, a trabalhar com um lançamento pautado por metas específicas e a buscar um público alvo direcionado. Para ela, é preciso manter a qualidade e a frequência de conteúdos nas redes sociais mais adequadas ao público.
Já o Diretor de Inteligência de Mercado da plataforma digital de música iMusics e membro do Laboratório de Economia Criativa da ESPM-Rio, Leo Morel, afirmou que o mercado brasileiro cresceu ainda mais com o streaming e as mídias digitais e acredita que o segredo está na profissionalização do mercado. “Temos um mercado grande em consumo e em produção, mas ainda é muito informal. É preciso capacitar os profissionais da nossa área, porque dessa maneira será possível gerar receitas, emprego e desenvolvimento”, explica.
Os palestrantes também discutiram temas de interesse do público, como os direitos autorais e a remuneração referente a cada etapa do trabalho, dicas e estratégias para lançamentos digitais, tendências de mercado e o comportamento atual do consumidor, além da atuação dos agregadores ou distribuidores digitais que tiveram suas atuações completamente modificadas por conta das mudanças das plataformas de música.








