Período sabático aos 50 anos pode ajudar a encontrar novos rumos, mas é preciso planejamento

Período sabático aos 50 anos pode ajudar a encontrar novos rumos, mas é preciso planejamento

Muitas pessoas sonham em tirar um período sabático para refletirem, desacelerarem, aprenderem coisas novas e voltarem revigoradas para a sua rotina ou para dar uma grande virada na vida. A maturidade e a maior estabilidade financeira são motivos que levam profissionais, ao chegarem aos 50 anos, buscarem esta experiência. Eles buscam resignificar os 50.

“Um ano sabático é o plano de muitas pessoas que almejam ter um período para autoconhecimento, um momento para o desafio de lidar com o novo, desfrutar e desconstruir modelos mentais que, muitas vezes, só pesam, porém não agregam”, afirma a psicóloga clínica Sirlene Ferreira. “A pessoa sente a necessidade de se permitir um momento de introspecção, de elaborar algo, ter contato com novas culturas, com pessoas e lugares desconhecidos”, completa.

O termo sabático tem origem na palavra hebraica shabat, que significa repousar. A psicóloga diz que as pessoas voltam realmente modificadas e empolgadas e que a pausa vale a pena: “Pode ser um excelente momento para simplesmente recarregar as energias, ou até mesmo pensar em novos projetos. Porém, o ano sabático requer elaboração, planejamento, disposição e baixa expectativa”, conclui.

É o que comprovam as histórias de quem tirou um tempo para si mesmo:

Virada profissional

Denise Alves: “Foram minhas economias que me permitiram sair tranquila”.

Denise Alves, 52 anos, mora em São Paulo, Engenheira Química, atuou como executiva em marketing, inovação e sustentabilidade por mais de 20 anos, casada, sem filhos – “Saí da universidade e fui direto trabalhar, primeiro na Unilever (7 anos) e, depois, na Natura (14 anos). Achei que já tinha vivido dentro das paredes e das salas de reuniões por muito tempo. Precisava respirar outros ares e ter um tempo livre para pensar na vida. Acredito que para nos desenvolvermos temos que nos colocar em posições diferentes, de desconforto, e o sabático pode possibilitar isso. Meus anos de estrada me possibilitaram ter uma boa reserva financeira. . Tinha 48 anos na época e a proximidade dos 50 pesou por um lado. Tive dúvidas do tipo: será que ao voltar vou ter meu emprego ainda ou será que vou me adaptar novamente ao mundo executivo? Por outro lado, meus anos de estrada me possibilitaram ter uma boa reserva financeira. O fato de não ter filhos também ajudou. Meu chefe na época é o atual presidente da Natura. Quando da minha avaliação de desempenho, no começo de 2014, conversamos, coloquei meu desejo de fazer um sabático no ano seguinte, combinamos quais deveriam ser minhas entregas até lá e acordamos os prazos. A Natura já tinha uma política permitindo o período sabático, de no máximo dois anos, e vários funcionários já haviam saído. Portanto, não era um “big deal”. Financeiramente, foram minhas economias que me permitiram sair tranquila. Fiz todos os cálculos de quanto gastaria em dois anos. Fui com minha esposa para Londres, morei lá um ano, estudei inglês, depois viajei pela Europa. Compramos duas bicicletas dobráveis e por todas as cidades andávamos só de bike. Fomos aos países escandinavos, depois um mês na Islândia, de lá para o sul da França, onde aluguei uma casa por um mês e percorremos a região de carro. Sabático é para SER e não só FAZER. Na volta, mudou tudo na minha vida, saí da empresa onde trabalhava e montei minha própria consultoria em sustentabilidade. Valeu muito à pena. Acho que é superimportante dar “rebooting na máquina” de tempos em tempos. Quem tem mais de 50, hoje em dia, passou por tantas mudanças que hoje está superescolado. A mudança me faz correr atrás, me faz ficar esperta, me faz crescer.”

Por uma causa

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Silvana Andrade: “Hoje sou uma cidadã do mundo”.

Silvana Andrade, 55 anos, mora em São Paulo, fundadora e presidente da ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais), divorciada, sem filhos, São Paulo: “O período que tirei não foi programado, ele ocorreu por conta da morte da minha cachorrinha, Nina, inspirou a criação da ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais). Quando Nina morreu senti uma tristeza profunda e percebi que precisava fazer algo. Três semanas depois, comprei um intercâmbio, havia completado 50 anos em fevereiro e, em março, deixei a agência aos cuidados de outras pessoas e fui para o Canadá para aprender inglês. Para isso, vendi carro e alguns bens para me sustentar por lá, o curso já estava pago. Minha intenção era fazer coisas diferentes para quebrar a dor que sentia. Mudou minha vida completamente, após vivenciar tudo o que vivenciei. Fiquei mais tempo do que imaginava. Ia para passar seis meses e fiquei três anos, só voltava em dezembro para cá, ou seja, passava os meses que lá são mais frios aqui e depois voltava. Descansei, mas continuei o ativismo pelos animais. Hoje sou uma cidadã do mundo, tenho amigos em todos os lugares, fiz palestras lá e nos EUA, e essa mudança ampliou muito minhas perspectivas e meu trabalho dentro da causa animal. Eu me sinto renovada e muito jovem aos 55 anos. Acho que é muito importante, em algum momento da vida, parar, refletir e ver o que se pode mudar é recompensador”.

Uma nova missão

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Márcia Olandim Spinola.

Márcia Olandim Spinola, 54 anos, mora em Belo Horizonte (MG), foi professora e hoje é missionária MPC (Mocidade para Cristo), divorciada, três filhos – “Sempre gostei de fazer coisas diferentes e passava por um divórcio conturbado. Resolvi dar uma parada, quando fiz 48. Eu me preparei primeiro lendo e estudando. Era coordenadora em uma escola, com três filhos adultos. Pedi demissão e me preparei financeiramente. Fui para Naples, na Flórida, Estados Unidos. Pesquisei sobre a cidade, cultura e tal. Minha intenção era sair do país, fazer algo novo, conhecer gente e ter um tempo livre para servir as pessoas. Trabalhei em uma revista de negócios; fui organizer na casa de uma acumuladora; morei na casa de uma colombiana e estudei inglês. Mudou tudo na minha vida, tomei gosto de servir as pessoas. Voltei e me tornei missionária. Falo do amor de Deus por meio de Jesus. Faço capelania escolar, servimos professores, alunos, famílias. Levo projetos sociais, aconselhamento, conto histórias com valores para crianças. Valeu muito à pena, tenho vontade de fazer de novo. Recomendo, mas precisa pesquisar, não tomar decisão na emoção, e se planejar, pois você fica longe da família, da zona de conforto”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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