Pesquisa mostra que se acentuam as diferenças entre o empreendedorismo de negros e brancos no Brasil

Pesquisa mostra que se acentuam as diferenças entre o empreendedorismo de negros e brancos no Brasil

Os números de empreendedores negros e brancos no Brasil são bastante próximos, com uma ligeira vantagem para os empresários negros e pardos. Entretanto, quando analisado o panorama geral do empreendedorismo, a realidade se mostra mais desafiadora para a população negra, seja pela motivação para abrir o próprio negócio, pelo grau de escolaridade dos empresários ou pela renda obtida com a empresa.

Esse é o panorama traçado pela Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), com apoio do Sebrae, com dados de 2018.  De acordo com a pesquisa, no ano passado, a diferença entre a proporção de empreendedores brancos e negros que empreenderam por oportunidade alcançou o maior nível da série histórica (16 pontos percentuais).

Em 2016, entre os empreendedores iniciais negros, 57,3% empreendiam por oportunidade e entre os empreendedores iniciais brancos, 59,1% empreendiam por oportunidade. Em 2018, esses números chegaram a 55,5% e 71,5% respectivamente.


“A motivação para empreender é um aspecto extremamente relevante e que pode ser decisivo para definir o sucesso do negócio”.

Carlos Melles.

Carlos Melles.

Os empresários que se lançam no mercado motivados por uma oportunidade são aqueles que se qualificam melhor para gerir o empreendimento, formulam um plano de negócio e terminam por alcançar melhores resultados.

Em contrapartida, os empreendedores por necessidade são aqueles que decidem oferecer um produto ou serviço motivados principalmente pelo desemprego e pela busca de uma fonte complementar de renda. Em 2018, os brasileiros negros em idade adulta (entre 18 e 64 anos) tiveram uma taxa total de empreendedores (40,2%) mais alta que os brancos (35%). Isso significa que de cada 100 brasileiros negros adultos, 40 são empreendedores.

Entretanto, a pesquisa registrou um crescimento vigoroso na proporção de empreendedores brancos por oportunidade (71,5%) contra um percentual inferior de empresários negros (55,5%). Em 2016 a diferença nessa proporção entre negros e brancos não foi significativa (menos de 2 pontos percentuais), sendo a menor da série.

Em relação ao faturamento anual, a pesquisa revelou que quase 80% dos empreendedores negros faturaram até R$ 24 mil por ano; 8 pontos percentuais a mais que os empreendedores brancos nessa faixa de faturamento.

Por outro lado, o percentual de empreendedores brancos com faturamento acima de R$ 36 mil foi de 13,6%, quase o dobro dos empreendedores negros (7,7%).  Os empreendedores iniciais negros com renda familiar até dois salários mínimos são a maioria (54,2%). Entre os brancos essa proporção é de aproximadamente um terço (37,5%).

Ainda considerando os empreendedores iniciais, a pesquisa mostra que entre os negros, aqueles com renda familiar acima de três salários mínimos representam 22,9% e entre os brancos perfazem 42,4%.  Embora a diferença entre brancos e negros no perfil de renda dos empreendedores estabelecidos seja menor, o sentido da constatação permanece o mesmo: é maior a proporção de empreendedores negros que possuem renda familiar mais baixa do que empreendedores brancos e – ao contrário – é maior a proporção de empreendedores brancos que possuem rendas maiores.

Com relação à escolaridade, a proporção de pessoas com nível superior completo, entre os negros, é sempre metade que a verificada entre os brancos. Na Taxa Total de Empreendedores (TTE), por exemplo, chega a 12,8% no caso dos brancos e a 6,6% no caso dos negros.

Ainda considerando a Taxa Total, a pesquisa mostra que uma proporção maior de empreendedores negros (51,3%), deixou de concluir o ensino médio, contra 41,5% dos brancos. Essa diferença se acentua quando são tomados os empreendedores estabelecidos. Entre os negros, 58,9% não alcançaram esse grau de escolaridade (o que significa a maioria), contra 45,6% dos brancos.

“Empreender exige conhecimento, por isso, o Sebrae recomenda que donos de micro e pequenas empresas busquem aprendizado, aperfeiçoamento, se preparar. Na prateleira de produtos e serviços, o Sebrae tem cursos gratuitos, presenciais ou à distância, em inúmeras áreas – planejamento estratégico, gestão de pessoas, marketing, qualidade no atendimento…”, afirma Melles.

A realização de serviços domésticos figura como a segunda atividade mais frequente entre os negros, mas não aparece entre as principais para os brancos. Se somadas com as práticas de cabelereiros e de tratamento de beleza, que se caracterizam por serviços voltados ao consumidor final, elas perfazem aproximadamente 16% do total dos empreendimentos iniciais conduzidos por empreendedores negros.

OS PRINCIPAIS NÚMEROS DA PESQUISA

  • A taxa total de empreendedores (TTE) negros é de 40,2%.
  • De cada 100 brasileiros negros adultos, 40 são empreendedores.
  • A taxa total de empreendedores (TTE) entre os brancos é de 35%.
  • Entre os empreendedores iniciais negros predominam os mais jovens: cerca de 55%.
  • 12,8% dos empreendedores brancos possuem nível superior completo.
  • 6,6% dos empresários negros possuem nível superior completo.
  • Entre os empreendedores negros iniciais, 43,7% não têm ensino médio completo.
  • 54,2% do empreendedor inicial negro têm renda familiar de até dois salários mínimos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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