Corrida por galpões logísticos se intensifica e já revela falta de espaço no Brasil

Corrida por galpões logísticos se intensifica e já revela falta de espaço no Brasil

Com transações bilionárias, vacância mínima e pré-locação em alta, empresas disputam ativos estratégicos

A corrida por galpões logísticos no Brasil ganhou um novo capítulo nesta semana e deixou de vez de ser apenas uma tendência para se consolidar como um movimento estratégico, sustentado por números, transações bilionárias e uma disputa cada vez mais intensa por espaço.

Uma operação recente envolvendo cerca de R$1 bilhão em ativos logísticos, com um portfólio distribuído em diferentes estados, escancarou o apetite do mercado e o peso que esse tipo de empreendimento passou a ter dentro das estratégias empresariais. Ao mesmo tempo, dados atualizados mostram que o setor entrou em 2026 aquecido, com novos estoques sendo rapidamente absorvidos e contratos fechados antes mesmo da entrega dos galpões.

Hoje, a taxa de vacância gira em torno de 6,5% a 7,7%, o menor nível já registrado no país. Na prática, isso significa que há pouca disponibilidade de espaços de qualidade, especialmente em regiões próximas aos grandes centros urbanos. A pressão é tanta que o mercado já projeta um déficit de aproximadamente 500 mil m² de galpões logísticos ao longo deste ano.

Para Marcos Koenigkan, executivo do setor logístico e especialista em estratégia empresarial, o cenário atual revela uma mudança estrutural na lógica das empresas.

“O galpão logístico deixou de ser um ativo que fica nos bastidores. Ele passou a influenciar diretamente a competitividade das empresas, principalmente em um contexto em que prazo de entrega e eficiência operacional são determinantes para a experiência do cliente”, afirma o empresário que está à frente das marcas Show Self Storage, You Box e Brasília Self Storage.

Marcos Koenigkan.

O crescimento do e-commerce segue como um dos principais motores dessa transformação, mas não atua sozinho. Indústrias, distribuidores e empresas de diferentes setores passaram a rever suas operações e a investir em estruturas mais próximas dos consumidores. Essa movimentação impulsiona a descentralização dos centros de distribuição e aumenta ainda mais a demanda por espaços bem localizados.

Outro dado que reforça esse cenário é o avanço da pré-locação. Atualmente, cerca de 60% dos galpões são ocupados antes mesmo de ficarem prontos, um salto significativo em relação aos anos anteriores. O comportamento revela não apenas confiança no setor, mas também uma corrida antecipada para garantir posições estratégicas.

Riscos

Koenigkan alerta, no entanto, para o risco de decisões precipitadas diante da pressão por velocidade. “Existe um movimento legítimo de expansão, mas ele precisa estar alinhado à estratégia do negócio. Estruturas bem localizadas e flexíveis, como o self storage, passam a ser uma alternativa inteligente para empresas que precisam ganhar eficiência sem imobilizar capital ou assumir compromissos maiores do que a operação exige”.

A tendência é que o setor siga aquecido ao longo de 2026, com valorização dos aluguéis e manutenção da demanda em níveis elevados. Com a oferta ainda limitada, empresas que demorarem a se posicionar podem enfrentar mais dificuldade para encontrar espaços adequados.

Mais do que uma disputa por metros quadrados, a corrida por galpões logísticos revela uma mudança importante na forma como as empresas operam e competem. Em um mercado guiado pela velocidade e pela eficiência, o endereço do estoque deixou de ser um detalhe e passou a ser uma das decisões mais estratégicas do negócio.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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