Imóveis devem ficar até 20% mais caros
Reforma tributária e nova taxação sobre dividendos devem impactar diretamente o valor dos imóveis no Brasil
Mesmo com juros elevados, especialistas alertam que este é o momento de comprar imóveis antes da alta prevista nos preços. A recomendação está diretamente ligada a mudanças estruturais no setor: a reforma tributária deve elevar entre 8% e 12% o custo dos imóveis ao aumentar a carga sobre toda a cadeia produtiva, de insumos básicos, como aço e cimento, até itens como esquadrias e cabos elétricos. Por outro lado, a proposta de taxação de dividendos, que prevê a cobrança de imposto sobre os lucros distribuídos pelas empresas aos sócios, hoje isentos para pessoas físicas, altera diretamente a rentabilidade das incorporadoras. Na prática, o que antes era lucro líquido passa a sofrer tributação, com impacto estimado entre 5% e 8% de redução na margem final dos projetos.
Na avaliação de Renato Monteiro, CEO do Grupo Sort, holding que reúne empresas de investimentos, intermediação e tecnologia voltadas ao mercado imobiliário, com bilhões de reais em ativos sob gestão, o movimento já está confirmado pelo próprio desenho econômico do setor.
“Não se trata de tendência ou percepção de mercado, é uma conta objetiva de matemática. Quando você soma o aumento dos custos de construção, pressionados pela reforma tributária, com a redução da margem líquida causada pela taxação de dividendos, a equação dos empreendimentos fica mais apertada. E quando essa conta não fecha, o incorporador não absorve: ele repassa. Por isso, a expectativa é de que os novos lançamentos registrem alta superior a 20%”, afirma.
Monteiro é reconhecido por antecipar movimentos relevantes do mercado imobiliário brasileiro. Em 2022, quando Balneário Camboriú ainda não liderava o ranking nacional, ele projetou que a cidade assumiria a primeira posição na valorização do metro quadrado, o que se confirmou nos anos seguintes, com o município consolidado no topo do índice FipeZap .
Segundo o executivo, o cenário atual cria uma janela clara de decisão para o comprador.
“Quem compra agora trava o preço antes desse ajuste estrutural. Quem espera entrar em um mercado já reprecificado e passa a incorporar esse aumento ao longo dos anos. É um movimento típico de virada de ciclo”, diz Monteiro.
Além da pressão tributária, o setor já enfrenta aumento consistente nos custos de mão de obra e restrições de oferta em regiões como o litoral norte de Santa Catarina, especialmente Balneário Camboriú, Itapema e Itajaí, além de capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. Nessas regiões, a combinação entre alta demanda e escassez de terrenos disponíveis reforça a tendência de valorização e acelera o repasse de custos aos preços finais dos imóveis.
“A expectativa é que os impactos mais fortes apareçam nos próximos lançamentos, quando os projetos já estiverem totalmente ajustados aos novos custos e à nova estrutura tributária. “Quem compra agora antecipa preço em um mercado que deve operar em outro patamar e, dependendo da localização, há casos em que os imóveis podem até dobrar de valor nos próximos anos”, conclui.


