Onde investir em 2020

Onde investir em 2020

As recentes mudanças no cenário econômico brasileiro provocaram profundas  transformações para os investidores nacionais. Segundo dados do Banco Central, a Taxa Selic chegou ao patamar mais baixo de sua história em dezembro de 2019, a 4,5% ao ano.

Por ser a taxa básica de juros, a Taxa Selic impacta diretamente o CDI, que é uma importante referência no mercado financeiro para operações de crédito e investimentos, especialmente a renda fixa. Para os investidores mais conservadores, acostumados em aplicações como a caderneta de poupança, Tesouro Direto e Certificado de Depósito Bancário (CDB), a redução não é uma boa notícia. A rentabilidade em fundos de renda fixa tende a ser mais baixa daqui para frente, dada a sua correlação com a Selic.

Ainda não está claro o quão duradouras serão estas novidades. É impossível predizer se os inúmeros fatores, domésticos e internacionais, que propiciaram tamanha mudança de patamar das taxas de juros se manterão nos próximos 5, 20 ou 30 anos. Mas fato é que precisamos encarar a possibilidade de uma Selic na casa dos dois dígitos ter ficado para trás.

O investidor de renda variável, por sua vez, tem tirado maior proveito desse novo cenário. Taxas de juros mais baixas incentivam os investimentos de empresas e o consumo, impactando positivamente a geração de emprego, o aumento da renda e o crescimento das empresas e da economia como um todo. Soma-se a isso as importantes reformas econômicas implementadas nos últimos anos, e já podemos observar alguns dados positivos, como geração de emprego, inflação controlada e retomada do crescimento econômico.

Com isso, não é de se espantar que o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, que mede as variações nos preços das ações das companhias brasileiras, tenha se valorizado quase três vezes em apenas quatro anos.

É justamente na bolsa que se encontram algumas das melhores oportunidades de investimento no ano. Apesar da expressiva valorização dos últimos anos, boa parte dos impactos positivos dessas recentes mudanças econômicas estruturais ainda estão por vir.

As projeções da maioria dos economistas do mercado coincidem com as do Boletim Focus, do Banco Central, e de órgãos internacionais, como o FMI, de uma aceleração do crescimento econômico este ano. As expectativas para o PIB variam entre 2% e 2,5% em 2020. Isso tende a se traduzir em ainda mais geração de emprego e desenvolvimento para as empresas, o que reforça o otimismo com o mercado de ações.

Este mercado pode ser acessado diretamente, comprando ações por meio de uma corretora, ou indiretamente através de fundos de investimento ou de previdência com exposição a este tipo de ativo. Impulsionados pela retomada na economia e a reforma da previdência, os fundos de Previdência Privada devem se destacar este ano. Segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), o valor investido nessa modalidade totalizou R$34,2 bilhões no terceiro trimestre de 2019 e a expectativa é que o crescimento deste segmento continue.

O comportamento da economia deve seguir a tendência de juros mais baixos nos próximos anos. O ganho real das aplicações mais conservadoras pode nunca mais voltar aos patamares de 2015, quando era possível encontrar aplicações em renda fixa com rendimentos de até 7% acima da inflação. Nesta época, era possível conseguir ganhos reais extraordinários mesmo com produtos de investimentos relativamente ruins.

Vale ressaltar que a melhor estratégia é diversificar os investimentos. Isso possibilita que o investidor direcione uma parte do seu patrimônio a aplicações mais arriscadas, como fundos de ações e renda variável em geral, visando ganhos expressivos acima da inflação, enquanto mantém outra parte alocada em renda fixa, visando reduzir os riscos da carteira como um todo. A proporção investida em cada uma dessas classes vai depender do perfil de risco e dos objetivos do investidor a curto, médio e longo prazo.

A redução da Selic não precisa ser uma notícia ruim para o investidor. O novo cenário apenas demanda um pouco adaptação e maior consciência na escolha dos investimentos. Isso, por si só, já é um fato positivo.

O artigo foi escrito por Lucas Vidigal (foto abaixo), que é diretor da Scopo Finanças Pessoais.

 

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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