Negociar o pagamento do aluguel é a melhor opção neste momento

Negociar o pagamento do aluguel é a melhor opção neste momento

Em tempos de pandemia causada pelo novo coronavírus, quando indústrias e estabelecimentos comerciais estão com portas fechadas, o pagamento de aluguel tem tirado o sono não só de empresários, mas também de proprietários de imóveis e de donos de imobiliárias.

Segundo a especialista em direito imobiliário, Morgana Borssuk, sócia do escritório Borssuk & Marcos Advocacia, em Curitiba, a melhor estratégia para o momento é o diálogo. Isso porque não há na legislação locatícia e nem em qualquer lei vigente, uma solução para a situação que estamos vivendo hoje. Ou seja, trata-se de um momento atípico, popularmente conhecido como força maior.

Eu conversei nesta segunda-feira (23) com o vice-presidente de locação do Secovi Paraná, o empresário Leonardo Baggio, e ele me disse que o Secovi, que é o sindicato das empresas de compra, venda e locação de imóveis, tem recebido várias consultas de empresários, principalmente de pequeno porte, que estão desesperados, pois na próxima semana começa o mês de abril e o boleto do aluguel deve ser pago, mas a empresa não dispõe de recursos, pois está sem faturar.

Neste momento, segundo Leonardo Baggio, o que deve haver é muito diálogo e negociação entre inquilinos e proprietários de imóveis. Acontece que de um lado há o locador que, muitas vezes, sobrevive do dinheiro que ganha do aluguel. Do outro lado há o locatário que devido ao cenário atual está sem faturar e os custos fixos continuam os mesmos.

Resultado de imagem para Leonardo Baggio  SecoviLeonardo Baggio (foto) me contou que na última sexta-feira (20) a proprietária de um estacionamento localizado na Rua da Glória, nas proximidades do Colégio Estadual, procurou a imobiliária, pois com a diminuição do movimento não tem como pagar o aluguel de abril que vence na semana que vem. A imobiliária intermediou a negociação entre as partes, e o proprietário, que utilizou de bom senso, suspendeu a cobrança do aluguel até que haja uma normalização da atual situação.

O vice-presidente de locação do Secovi Paraná me disse que está bastante preocupado com o setor, uma vez que os negócios envolvendo a compra, venda e locação de imóveis estão parados e sem uma data prevista de normalização.

Curitiba tem hoje 6 mil imóveis comerciais disponíveis para alugar, número que vem se mantendo desde 2017. Para este ano esperava-se uma retomada, mas a pandemia do coronavírus frustrou as expectativas.

Eu perguntei ao dirigente do Secovi sobre o índice de inadimplência dos aluguéis em Curitiba, e ele me informou que está em 1,4%, muito abaixo das demais capitais. No entanto, este porcentual deve crescer daqui para frente.

Negociação e boa fé

A advogada Morgana Borssuk (foto) argumenta que na falta de uma negociação favorável, a opção judicial será uma revisão contratual – tendo como pauta o Código Civil Brasileiro e um dos mais importantes princípios das relações contratuais, a boa fé.

Também será necessário levar em conta a chamada teoria da imprevisão, visto que não se trata de algo previsto ou consequência de qualquer ato lesivo entre as partes, mas algo de força maior. “O diálogo é a pauta da vez na tentativa de equilibrar as relações contratuais nesse período de incerteza”, pondera.

Litígio

Em casos de litígios, como toda ação judicial, a situação exigirá uma série de provas. Não basta a alegação de pandemia. Embora o evento seja inesperado e a essência do motivo do ingresso judicial, o empresário locador do imóvel terá que comprovar sua real incapacidade financeira. Neste caso, será importante fazer um levantamento de dados financeiros mostrando como a empresa se comportava em “dias normais” e o impacto causado na receita devido a suspensão das atividades.

Shopping centers

Para os lojistas de shopping centers, a orientação da especialista em direito imobiliário também é o diálogo e o acordo para equilibrar amigavelmente a relação comercial. Mas caso o entendimento não seja possível, a orientação é um pouco diferente.

Caso o shopping tenha fechado suas portas, seja por uma medida do poder público ou por decisão da direção do empreendimento, o lojista deverá ingressar com uma medida judicial para tentativa de suspensão dos valores e obrigações contratuais, visto que a interrupção foi um evento de força maior. Isso quer dizer que – mesmo que o lojista quisesse continuar aberto – não seria possível, uma vez que a direção do estabelecimento maior o proíbe.

“Mas na situação do shopping continuar aberto – e não ocorrer uma negociação amigável – o lojista deve entrar com medida judicial com pedido de suspensão temporária ou interrupção dos pagamentos locatícios, mantendo taxas acessórias como as despesas especificas da loja referentes a condomínio, fundo de promoção entre outros”, visto que – em alguns contratos deste tipo – os alugueis são variáveis de acordo com o faturamento do lojista, finaliza Morgana.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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