Academias de ginástica aproveitam a crise para se reinventar

Academias de ginástica aproveitam a crise para se reinventar

O segmento de academias de ginásticas foi um dos primeiros a sentir o impacto do avanço do Coronavírus, com queda média de 87% no faturamento semanal, segundo pesquisa do Sebrae realizada entre 3 e 7 de abril. Antes mesmo da determinação do fechamento do comércio e de shoppings centers, as academias de ginástica começaram a esvaziar devido às ações de combate à pandemia.

Diante das restrições e medidas de isolamento da população, donos de pequenos negócios do segmento podem aproveitar a crise para se reinventar e manter o contato com o cliente, principalmente deixando-os ativos.

Com a permanência da maioria das pessoas em casa, até mesmo as sedentárias vão sentir a necessidade de se mexer um pouco mais. Sendo assim, surge uma oportunidade de atrair um público maior para o negócio. Para a consultora do Sebrae/PR, Elizandra Severgnini, a oferta de serviços online, antes considerada uma ameaça por uma parte do setor, acabou se tornando uma oportunidade de negócio nesse cenário.

“Os questionamentos eram se as plataformas digitais iriam substituir as academias e se os treinos online proporcionariam os mesmos resultados. Hoje, a utilização desses recursos representa uma oportunidade para as academias se reinventarem, criando ações complementares às já oferecidas, porque surgirão outros perfis de clientes pós-Coronavírus”, explica a Elizandra.

A consultora destaca que entre as novas oportunidades está a tecnologia fitness integrada aos sistemas smart home. “Mas há mercado para modelos de negócios que apostam no espaço físico de academias. A diferença com plataformas digitais é que o nível de serviços e experiências oferecidos será outro. O consumidor conectado já exige muito mais do mercado de fitness”, aponta.

Para superar o momento, de acordo com a consultora, boa parte das academias está se dedicando à produção de aulas e conteúdo online. Mas outras estratégias de negócios também estão ajudando as empresas a passar pela crise.

Aluguel de equipamentos

Na região dos Campos Gerais, a empresária Camila Pereira Zimermann, do Cross Fit Ponta Grossa, está apostando no aluguel de alguns equipamentos para alunos ativos da academia. Desta forma, conta que está conseguindo manter uma parte da receita.

“Fizemos um cálculo proporcional bem baixo, em cima do valor dos equipamentos, com contrato para 15 dias, podendo ser renovado”, diz Camila.

A empresária, que havia decidido suspender as atividades antes mesmo do decreto que determinava o fechamento do comércio, também preparou a oferta de videoaulas, ministradas pelos professores. “A diferença é que, no presencial, o aluno fazia a aula enquanto o professor corrigia os movimentos e motivava. Agora, o professor faz a aula junto com o aluno, só que a distância”, explica.

Além das videoaulas, aos sábados, os alunos se reúnem, via aplicativo, para uma aula online, ao mesmo tempo, cada um em seu espaço. O WhatsApp e o Instagram também são explorados com o intuito de manter contato com os clientes.

“Tivemos uma boa adesão apesar de não ser a mesma coisa em função do espaço que cada um tem na sua casa e por conta dos equipamentos”, analisa. A empresária diz que a crise ocasionada pela Covid-19 antecipou planos, como a oferta das atividades por meio de uma plataforma online.

“As micro e pequenas empresas têm a característica de serem muito flexíveis, de saírem do comodismo e de encontrar novos modelos de negócios. Tiramos do papel um projeto que já tínhamos em vista”, comenta.

Plano de contingenciamento

Em Maringá, a diretora comercial da Cems, Karina Miyaki da Silveira, está trabalhando em uma ação coletiva para enfrentar a crise. Como os principais clientes da academia são crianças e idosos, que requerem uma atenção presencial, Karina se uniu ao setor para desenvolver um plano de contingenciamento que possibilite o retorno da operação.

“O objetivo é elaborar em conjunto e apresentar uma proposta que permita a reabertura com restrições para o funcionamento, como delimitação do número de pessoas por metro quadrado e uso de álcool em gel”, explica.

Para dar suporte aos alunos enquanto o comércio permanece fechado em razão de um decreto, a Cems também tem trabalhado para disponibilizar nas redes sociais aulas online com treinos que podem ser feitos em casa. A equipe tem preparado periodicamente vídeos de exercícios funcionais e de atividades para crianças, como brincadeiras para ativar o equilíbrio, a noção espacial e a força, utilizando o espaço doméstico. Alunos e o público em geral têm acesso.

Os profissionais também estão participando de lives: natação adaptada para crianças, adolescentes e adultos foi um dos temas abordados. “Além oferecer conteúdo e atividades, o contato constante com os alunos por meio da internet, reforçando nossa presença, vem ajudando a passar por esse período”, explica a diretora comercial da Cems, Karina Miyaki da Silveira, que diz estar de olho na tendência mundial de oferecer treinos pela internet, que está se fortalecendo no Brasil.

Renegociar contratos

O período de paralisação das atividades pode gerar muitas incertezas para o empresário de micro e pequenos negócios. Existe a possibilidade de os alunos cancelarem as matrículas, gerando despesas e falta de receita. A recomendação do Sebrae é que o empreendedor seja flexível na hora de renegociar os contratos. Oferecer um desconto, isenção de alguma mensalidade durante o período de crise e até um bônus por permanência pode ser melhor do que perder um cliente.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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