Com menos investimento, cai para 33,6% quantidade de empresas inovadoras

Com menos investimento, cai para 33,6% quantidade de empresas inovadoras

A recessão econômica e a queda nos investimentos em bens de capital tiveram impacto direto nas atividades de inovação. Segundo a Pesquisa de Inovação (Pintec 2017), divulgada nesta quinta-feira (16) pelo IBGE, o percentual de empresas que inovaram caiu de 36% no triênio encerrado em 2014 para 33,6% (uma em cada três) entre 2015 e 2017, em um universo de 116.962 companhias com dez ou mais trabalhadores. 

Entre os três setores, a indústria – extrativa e de transformação – foi a mais afetada, com o percentual de empresas inovadoras caindo de 36,4% em 2014, para 33,9% em 2017, o menor patamar das três últimas edições da pesquisa. Ainda na indústria, o percentual das receitas investido em atividades inovadoras caiu de 2,12% em 2014 para 1,65%.

As empresas inovadoras do setor de eletricidade e gás reduziram de 29,2% para 28,4%, mas o percentual dos investimentos subiu de 0,57% para 0,66% das receitas líquidas.

Já o setor de serviços selecionados variou de 32,4% para 32%, com a intensidade de investimentos caindo de 7,81% para 5,79%. Os serviços selecionados incluem edição e gravação de música, telecomunicações, tecnologia da informação, tratamento de dados e hospedagem de internet, arquitetura e engenharia, testes e análises técnicas, pesquisa e desenvolvimento científico.

O gerente da Pintec, Flávio José Marques Peixoto, explica que a queda deve-se à redução dos investimentos em máquinas e equipamentos, historicamente, o principal instrumento utilizado pelas empresas brasileiras para implementar inovação, especialmente de processo. Reflete também o fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no período, que registrou quedas de 3,55% em 2015 e de 3,31% em 2016 e leve crescimento de 1,06% em 2017.

“Foi um período de recessão que influenciou a taxa de investimento – índice que é resultado da Formação Bruta de Capital Fixo em relação ao PIB – que caiu de 19,9% em 2014 para 17,8% em 2015, 15,5% em 2016 e 14,6% em 2017. Esse último dado é importante, porque a Pintec capta os gastos com inovação apenas no último ano do triênio. Nesse período, a participação das máquinas e equipamentos chegou ao menor nível (5,1%) na composição da Formação Bruta de Capital Fixo. Isso afetou, por conseguinte, a taxa de investimento e a taxa de inovação”, analisa Peixoto.

Ele esclarece que, na Pintec, o que mais pesa na taxa de inovação são as inovações de processo, iniciativa adotada pela maior parte das empresas. O número de empresas que inovam apenas em processo caiu de 17,5% para 14,8%, enquanto as que inovam em processo e produto também caiu de 14,6% para 13,7%.

“Essa queda de inovação em processo afetou a taxa. Um dado curioso é que a inovação só em produto subiu de 3,9% para 5,1%. Uma das explicações é de que, na Pintec, a inovação de processos está fortemente relacionada à aquisição de máquinas e equipamentos, que caiu em relação à receita líquida. Em 2014, 1,02% das receitas líquidas das empresas foram investidos em máquinas e equipamentos, percentual que reduziu para 0,62% em 2017. Em números absolutos, a queda foi de R$ 33,5 bilhões em 2014 para R$ 21,2 bilhões em 2017. Em contrapartida, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) interno somaram R$ 25,6 bilhões e P&D externo, R$ 7 bilhões”, acrescenta Peixoto.

Outro fator que influenciou os resultados foi o comportamento do câmbio, com a desvalorização do real em relação ao dólar. Em 2014, a taxa de câmbio média era R$ 2,35, passando para R$ 3,19 em 2017. O impacto se justifica porque muitas máquinas e equipamentos usados em projetos de inovação são importados.

“Com a valorização do câmbio, a importação de equipamentos caiu. Além disso, o câmbio elevado também impacta na redução da importação de produtos acabados. Isso pode ter estimulado as empresas brasileiras a investirem na produção e inovação dos produtos que antes eram importados”, ressalta Peixoto.

Dificuldades e obstáculos à inovação

Mais empresas inovadoras (81,8%) entenderam que os riscos econômicos foram fatores que dificultaram o processo de inovação. Esse indicador ocupa a primeira posição, após situar-se na terceira e na segunda colocações nos triênios 2009-2011 e 2012-2014, respectivamente.

Em contrapartida, os elevados custos para inovar caíram da primeira colocação no ranking de importância, observados nas edições 2011 e 2014, para a segunda na Pintec 2017, sendo indicado por 79,7% das empresas inovadoras.

A falta de pessoal qualificado foi indicada por 65,5% das empresas que inovaram, despontando como terceiro obstáculo no ranking e ganhando espaço em relação à escassez de fontes apropriadas de financiamento (63,9%), que caiu para a quarta posição.

A Pintec 2017 revelou que 61,3% dos profissionais que atuam com pesquisa e desenvolvimento (P&D) interno estão em regime de dedicação exclusiva, e 38,7% parcial – ante 61,4% e 38,6% em 2014, respectivamente. O setor de eletricidade e gás concentra o maior percentual de dedicação exclusiva, 72,1% ante 57% na indústria e 14,4% nos serviços selecionados.

Mais de 70% das pessoas ocupadas nas atividades de P&D têm pelo menos graduação. Nas empresas de eletricidade e gás há maior percentual de graduados, 69,3%, e pós graduados, 17%.

Embora ainda representem menos de um quarto das pessoas envolvidas em atividades de P&D, as mulheres que atuam como pesquisadoras ganharam espaço, representando 23,6%, ante 20,9% no triênio anterior.

Inovações organizacional e de marketing

Em geral, empresas que realizam inovações tecnológicas (produto ou processo), também realizam algum tipo de inovação organizacional ou de marketing. Na Pintec 2017, mais da metade das empresas inovadoras realizaram inovações não tecnológicas com destaque para técnicas de gestão e métodos de organização do trabalho.

Nesta edição, observou-se também aumento no percentual de empresas inovadoras que realizaram atividades de biotecnologia (4,6% ante 3,4% do período anterior) e nanotecnologia (2,3% contra 1,8%). “Em ambos os casos, é nas grandes empresas onde mais se desenvolvem essas atividades”, ressalta Peixoto.

A pesquisa também mostrou que 15,6% das empresas inovadoras realizaram algum tipo de atividade inovativa em colaboração com outras organizações. No setor de eletricidade e gás, o percentual subiu de 55% no triênio 2012-2014, para 70,1% em 2017. Na indústria, variou de 14,3% para 14,9%. Nos dois setores, os fornecedores foram os principais parceiros. Em serviços selecionados, o percentual caiu de 23,6% em 2014 para 18,4% em 2017. Neste setor, a interação com clientes e consumidores, é a principal forma de parceria.

Quanto às fontes de informação, a internet e os clientes continuam a sendo as principais fontes da indústria e dos serviços selecionados. No setor de eletricidade e gás, as fontes provêm dos fornecedores e outras empresas do grupo.

Regionalmente, mais de 60% dos dispêndios com atividades inovativas estão concentradas no Sudeste. Somente São Paulo (41,7%) e Rio de Janeiro (9,7%) respondem por metade dos gastos com inovação. A Região Sul responde por 20%, a Região Norte 7,8%, o Nordeste 6% e o Centro Oeste 3,6%.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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