Governo suspende parcelas de financiamento de empresas e concessionárias de saneamento durante pandemia

Governo suspende parcelas de financiamento de empresas e concessionárias de saneamento durante pandemia

Para ajudar no combate à pandemia do novo coronavírus, o governo federal suspendeu, por até seis meses, o pagamento de financiamentos de empresas e concessionárias de saneamento básico que contrataram recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O objetivo é dar continuidade à prestação do serviço à população e manter empregos no setor. Com isso, o governo espera gerar um alívio nos caixas de empresas estatais e concessionárias de quase R$ 660 milhões no período.

Podem acessar a medida empresas públicas, mistas e privadas de saneamento básico que foram atendidas pelo Programa Saneamento para Todos, em parceria com a Caixa Econômica Federal. É necessário que a empresa ou companhia solicite formalmente o pedido. Segundo informações do governo federal, a suspensão do pagamento não vai gerar prejuízos ao FGTS, mas apenas o adiamento das parcelas até outubro e a diluição do débito ao longo do período residual dos contratos.

Medida ameniza crise

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, acredita que a iniciativa vai amenizar os efeitos da crise e fazer com que a economia “não sofra tanto”. “A medida é para que empresas e concessionárias tenham possibilidade de continuar a prestar o serviço com qualidade, eficiência e eficácia. O governo tem nos orientado a não medir esforços para combater e evitar qualquer prejuízo à população em função dessa pandemia”, afirma.

Para o economista do Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais (IBMEC) William Baghdassarian, a medida é válida tanto para o governo, que não sofrerá impacto direto nas contas públicas, quanto para a população, que continuará com a prestação dos serviços de água e esgoto.

“O impacto nas contas públicas é indireto. O FGTS é um fundo privado, quando há uma operação de crédito, isso não tem impacto nenhum sobre o superávit financeiro da União nem dos estados”, explica Baghdassarian.

Ele acrescenta que os juros vão continuar sendo cobrados e que as companhias de saneamento voltarão a pagar o financiamento nos próximos meses. 

Na opinião de Baghdassarian, o setor não pode parar por ser “essencial” à população. Segundo ele, algumas companhias já estavam, inclusive, sem condições de honrar os pagamentos. “Na medida em que você traz segurança financeira para que elas possam interromper esse pagamento durante a pandemia, você dá segurança para que as atividades continuem”, pontua.

“Uma empresa que para de pagar o funcionário, por exemplo, pode prejudicar o fornecimento de água ou de tratamento de esgoto para a população. Então, todos se beneficiam com essa ação do governo”, complementa o especialista. 

Saneamento na pandemia 

Cerca de 35 milhões de pessoas, o que equivalente a 16,38% da população brasileira, ainda não têm acesso ao abastecimento de água. A maioria delas vive nas periferias das cidades, de acordo com dados do Instituto Trata Brasil. “Como é que essas pessoas podem se higienizar, num momento de pandemia, se elas não têm água?”, questiona o presidente-executivo da entidade, Édison Carlos.  

“Muitas dessas pessoas usam água de poço, de cacimba, de cachoeira, de rio. Além de não se higienizar contra o coronavírus, elas podem adquirir outras doenças que são tradicionalmente transmitidas pelo esgoto doméstico”, aponta ele. 

Entre 2011 e 2018, o Brasil avançou pouco no investimento em saneamento básico. No início da década, foram destinados R$ 11,39 bilhões ao setor. Sete anos depois, o valor subiu para R$ 13,20 bilhões. Macapá ilustra bem essa realidade. Entre 2014 e 2018, foram investidos apenas R$ 6,94 por habitante, enquanto o ideal, nas contas do Trata Brasil, seria R$ 114 por habitante. Números que deixam a capital do Amapá como vice-lanterna no ranking dos 100 maiores municípios do país. 

“Infelizmente, a falta de saneamento tem a ver com esse momento. Quando você fala para a população que a principal ação de proteção é o isolamento e a higiene, especialmente a das mãos, como fazer com quem não tem água? Milhões de brasileiros não têm acesso a ela”, critica Édison Carlos. 

Marco legal

No Congresso Nacional, antes do início da pandemia, os parlamentares discutiam o futuro do saneamento por meio do Projeto de Lei 4.162/2019, que institui um novo marco legal. Além da abertura de concorrência no setor entre empresas públicas e privadas, o texto estabelece novas atribuições à Agência Nacional de Águas (ANA), que passaria a ter uma função de regular e “garantir estímulo à livre concorrência, competitividade, eficiência e sustentabilidade econômica”.

A partir da aprovação do projeto, a autarquia federal deverá emitir normas de referência e padrões de qualidade para os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, gestão do lixo urbano e drenagem de águas pluviais. Atualmente, a ANA tem como principal atribuição regular o uso das águas dos rios e lagos de domínio da União.

Atualmente, existem cerca de 50 agências reguladoras no país, regionais, estaduais e municipais, com processos diferentes de trabalho. Com a aprovação do marco legal, a ANA passaria a designar normas gerais para o serviço no país, além de oferecer apoio técnico a estados e municípios no planejamento e execução dos serviços prestados à população. As normas servirão de parâmetro para empresas públicas e privadas, que terão apoio para formar um corpo técnico qualificado.

Agência RadioMais

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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