Reeleição de Lula provoca reprecificação do risco Brasil e amplia a volatilidade nos mercados

Desvalorização cambial e a abertura da curva de juros podem elevar o custo de financiamento das empresas, alerta professor da ESPM
A reação dos mercados à reeleição de Lula é expressiva e reflete uma reprecificação abrupta do risco brasileiro. Os investidores haviam incorporado aos preços a expectativa de mudanças na condução da política econômica, especialmente na gestão fiscal. O resultado eleitoral contrariou essas expectativas, desencadeando uma forte correção nos ativos brasileiros.
O Ibovespa futuro chegou a recuar 17%% na manhã desta segunda-feira, enquanto o dólar ultrapassou R$ 5,60. O movimento elevou o risco de acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa à vista registra queda de 10%.
Para Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor do curso de Administração da ESPM, a reação, porém, vai além do resultado eleitoral. “O mercado está reavaliando as perspectivas para a dívida pública, a inflação, os juros e o crescimento econômico. A desvalorização cambial e a abertura da curva de juros podem elevar o custo de financiamento das empresas, pressionar os preços domésticos e comprometer a recuperação dos investimentos”, diz.
Segundo ele, a intensidade e a persistência desse movimento dependerão das primeiras sinalizações do governo sobre o compromisso com a responsabilidade fiscal, a composição da equipe econômica e a capacidade de articulação com o Congresso. “Embora o circuit breaker possa conter temporariamente a volatilidade, a estabilização dos mercados dependerá, sobretudo, da recuperação da confiança dos investidores e de maior previsibilidade na condução da política econômica”, conclui.
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