Mercados já dão as respostas para o resultado das eleições

Ibovespa futuro cai 14% e dólar valoriza mais de 8%, saltando para R$ 5,42
Contrariando o que as pesquisas indicavam e o que se viu no primeiro turno, o presidente Lula conseguiu uma virada histórica. Afinal, nunca havia acontecido de um candidato perder no primeiro turno e reverter o resultado para vencer a eleição no segundo. O Ibovespa futuro caiu 14% no início da manhã desta segunda-feira (25), enquanto o dólar valoriza mais de 8% em relação ao real, sendo cotado a R$ 5,42.
Qual é o impacto disso no curto prazo?
Para o estrategista-chefe da Avenue, empresa do Grupo Itaú, William Castro Alves, os mercados são muito rápidos em dar essa resposta. Neste início de segunda-feira (25) o que já pode ser sentido em alguns mercados futuros é uma forte queda do índice da bolsa brasileira, o EWZ. “Ainda é cedo para dimensionar esse movimento, porque os mercados estão fechados e os contratos futuros têm liquidez menor, mas os sinais apontam para uma queda expressiva, revertendo boa parte do movimento que vimos após o primeiro turno, quando a vitória de Flávio Bolsonaro alimentou a expectativa de uma política econômica mais favorável ao mercado e mais comprometida com a questão fiscal”, prevê.
Com isso, o aquele trade eleitoral perde força. “Estamos vendo uma queda expressiva das ações brasileiras e uma alta considerável do dólar. Também é razoável supor uma abertura mais forte da curva de juros amanhã, refletindo essa reversão das expectativas que se formaram após o primeiro turno”, destaca Alves.
Ainda no curto prazo, o estrategista-chefe da Avenue diz que espera um período relativamente conturbado. “Não dá para ignorar que tivemos um resultado apertado e uma virada que chama a atenção. A transferência de votos dos candidatos mais alinhados à direita para Flávio também parece ter ficado aquém do que se estimava. Além disso, questões relacionadas ao andamento da votação em algumas localidades e acontecimentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal durante o processo eleitoral adicionam incerteza ao cenário.
Na avaliação de Alves, tudo isso pode trazer volatilidade. “Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos: a bolsa pode sofrer, enquanto o dólar pode se valorizar frente ao real. Afinal, incertezas políticas, jurídicas e econômicas costumam aumentar a percepção de risco e pressionar o câmbio”, admite.
Desafio fiscal
Olhando para além do curto prazo, o estrategista-chefe da Avenue acha fundamental lembrar que o desafio fiscal permanece, independentemente do candidato eleito. Esse desafio se intensificou ao longo do mandato, com os benefícios e programas criados, ampliados ou mantidos, deixando uma conta ainda mais pesada para 2027 e os anos seguintes.
“Sabemos que a situação fiscal é central para a percepção de risco de um país e para a trajetória de sua moeda. Por isso, a condução das contas públicas será um dos pontos mais importantes a observar daqui para frente”.
Alves chama a atenção para o fato de que o Congresso e o Senado terão uma composição majoritariamente alinhada à direita, o que pode dificultar a articulação do governo Lula para aprovar as medidas que defendeu durante a campanha ou que pretenda implementar nos próximos quatro anos. A governabilidade será, portanto, outro fator importante para o cenário econômico, destaca.
O estrategista admite que o horizonte pode continuar conturbado, seja pela questão fiscal, que permanece como um risco para a economia e para o câmbio, seja pelos desafios de governabilidade diante de um Congresso com uma composição política diferente da do Executivo.
Proteção patrimonial
Em relação à proteção patrimonial, Alves diz que não significa fazer apostas binárias sobre o resultado de uma eleição. “Investir no exterior independe de quem vence nas urnas. Ter uma parcela do patrimônio fora do Brasil é fundamental para uma estratégia de diversificação”, afirma.
Uma parte relevante do consumo dos brasileiros está atrelada ao dólar, direta ou indiretamente, e acaba sofrendo os efeitos das oscilações cambiais. Por isso, o estrategista prevê volatilidade no câmbio, que pode afetar o custo de vida. Por isso, quem tem despesas ou compromissos financeiros expostos ao dólar, faz sentido considerar também ativos dolarizados como parte da estratégia de proteção, aconselha o estrategista.
Os investimentos no exterior também podem ajudar a proteger o patrimônio em momentos de dificuldade na economia brasileira. Se o Brasil enfrenta desafios, o investidor pode buscar oportunidades em outros mercados, que podem apresentar condições econômicas mais favoráveis naquele momento.
“Eventos como o de hoje nos lembram que não controlamos o resultado das urnas, as decisões de política econômica, a realização de reformas necessárias ou os fluxos de investimento estrangeiro que podem influenciar o câmbio. O que podemos controlar é a forma como administramos nossas economias e o patrimônio da nossa família”, diz Alves.
Segundo ele, pensar em investimentos e proteção patrimonial vai muito além de escolher um ativo específico. É preciso construir uma estratégia mais ampla, que considere diferentes cenários e busque diversificação. Nesse contexto, ter uma parcela do patrimônio investida no exterior é fundamental. “Por mais que tenhamos expectativas sobre o que pode acontecer no Brasil, é importante considerar uma parcela dolarizada na carteira.
Para concluir, o estrategista da Avenue destaca que os desafios fiscais e políticos continuam presentes, e teremos mais quatro anos pela frente para acompanhar os rumos da economia brasileira. “É justamente pensando no longo prazo que faz sentido construir uma carteira diversificada, preparada para diferentes cenários, sem depender exclusivamente do resultado de uma eleição ou de uma única perspectiva para o Brasil”.








