Como o varejista pode proteger o caixa e manter o investimento essencial

Como o varejista pode proteger o caixa e manter o investimento essencial

Desde que teve início a crise provocada pela pandemia do coronavírus no país, as vendas no varejo foram tremendamente impactadas. Só no primeiro trimestre elas recuaram 2% em relação ao quarto trimestre do ano passado, como apontou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Alguns setores, como o varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, as vendas no mesmo período diminuíram 4,4%.

Com as vendas em baixa, a queda na lucratividade também é certa. Para garantir a sobrevivência dos negócios, proteger o caixa da empresa se torna prioridade máxima. Reestruturar dívidas, buscar maior eficiência operacional, reduzir estoques e adiar investimentos não essenciais são algumas das ações tomadas por varejistas atualmente. Nesse cenário, ganha cada vez mais força a transformação ou migração dos investimentos de aquisição (Capex) para o de locação (Opex) nas companhias.

Não há dúvidas de que a adequação de lojas para as novas regras de proteção e prevenção da Covid-19 é um investimento essencial, além da segurança da própria loja. Ainda que os canais online tenham ganhado força, há lojas físicas, especialmente nos setores essenciais como supermercados e farmácias, que permanecem abertas e viram suas perdas crescerem de maneira expressiva. Há ainda que se considerar que em algumas regiões do país as operações estão sendo retomadas gradualmente.

Erros operacionais provocados pela pressão extra sobre a equipe e uma maior ocorrência de furtos, tanto internos quanto externos, explicam o aumento das perdas em até 120% em alguns supermercados. São prejuízos que já estão acontecendo e impactando os resultados no pior momento da história do varejo mundial. Por isso, o investimento em prevenção de perdas também se torna mandatório.

O varejo talvez nunca tenha precisado tanto de liquidez. Apesar do que se noticia, mesmo com a Selic no valor mais baixo da história, o acesso ao crédito sofreu uma enorme restrição. Frente a essas dificuldades, o varejista se questiona se existe alguma forma de investir e proteger o caixa ao mesmo tempo.

Estamos, novamente, diante um debate que já estava presente antes da pandemia: alugar ou comprar equipamentos? Capex ou Opex? Quais as diferenças entre as duas estratégias?

Capex

Opex

 

Compra

 

 

Locação ou leasing

 

Impacto imediato no caixa da empresa

 

Manutenção dos recursos do caixa da empresa (maior liquidez)

 

 

Ativo fixo

 

Despesa operacional (benefícios fiscais)

 

 

Investimento imediato e retorno a longo do tempo com a utilização dos equipamentos

 

 

Utilização imediata dos equipamentos e investimento distribuído ao longo do tempo

 

Assume custo de manutenção não previstos

 

 

Reduz custos não previstos (manutenção e descarte)

 

Assume a obsolescência dos equipamentos

 

Permite a atualização, sempre que o produto ficar obsoleto (prazos contratuais)

 

O modelo tradicional de aquisição (Capex) impacta de imediato o caixa. O retorno virá no futuro, com o acúmulo das vantagens conquistadas pelo projeto. Quanto mais rápida for a implantação, maior a necessidade de capital.

Já o modelo de locação (Opex) permite manter mais recursos disponíveis no caixa no momento mais crucial da crise e avançar com as melhorias essenciais para o negócio. Além disso, como no balanço financeiro a locação não é entendida como investimento, mas como uma despesa corrente (Opex), é possível abater até 34% do seu valor através de reduções no IRPJ e CSLL.

Equipamentos de loja, bem como computadores, impressoras, scaners, sistemas de CFTV, antenas EAS e, particularmente, tudo que depende de atualização de software, são os mais recomendados para transformar em locação, já que a inovação é constante e, através da modalidade, a renovação da tecnologia é facilitada.

O varejista começa a avaliar essa possibilidade que se coloca com ainda mais força em tempos de crise. Vemos que a pandemia está mudando paradigmas e acelerando a transformação digital.

O conceito da Tecnologia como Serviço (TaaS, do inglês Technology as a Service) é uma solução abrangente e flexível que agrupa hardware, software e serviços em um único valor de mensalidade. E essa alternativa está se tornando cada vez mais comum, afinal, você precisa ter a posse do equipamento ou os benefícios da sua utilização?

O artigo foi escrito por Gustavo Carrer, que é gerente de Desenvolvimento de Negócios da Gunnebo

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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