Pandemia fortalece estruturas familiares e dá mais poder às mulheres

Pandemia fortalece estruturas familiares e dá mais poder às mulheres

Depois de quatro meses de isolamento social, as famílias brasileiras passaram pelo teste de fogo do confinamento e sairão fortalecidas desse período. Ao mesmo tempo, as mulheres assumiram maior responsabilidade, não apenas no sustento da casa, mas também na gestão do orçamento doméstico. A crise sanitária, que pegou o mundo desprevenido e mudou subitamente as rotinas das pessoas, trará consequências importantes para as estruturas familiares, que tendem a se unirem mais e se preocuparem mais com a saúde.

É o que revela o segundo levantamento Observatório Febraban, pesquisa Febraban-Ipespe, feito entre os dias 7 e 15 de julho, com 1,5 mil chefes de família, homens e mulheres responsáveis pelo sustento da casa (isoladamente ou de forma compartilhada), de todas as regiões do país.

“Seguindo seu propósito de ser um levantamento aprofundado, que mapeia a visão da população sobre os temas que impactam o Brasil, a nova pesquisa Observatório Febraban revela algo interessante: apesar do aumento da carga de trabalho doméstico e do convívio intenso em meio à pandemia, não foi relatada intensificação de conflitos familiares”, diz Isaac Sidney, presidente da Febraban.

“Embora estejam pagando um preço alto na pandemia, afetadas pelo desemprego e sobrecarregadas com tarefas domésticas, as mulheres sairão dessa fase histórica mais empoderadas. Essa segunda rodada do Observatório Febraban mostra que o isolamento social, ao forçar a reconfiguração da agenda nos lares, aumentou o seu papel na gestão do orçamento e no planejamento do futuro das famílias “, diz o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe.

O Observatório Febraban, pesquisa Febraban-Ipespe, é parte de uma série de medidas da Febraban para ampliar a aproximação dos bancos com a população e a economia real, de forma cada vez mais transparente. Sua divulgação será mensal. A primeira edição do novo Observatório, lançada em junho, identificou as expectativas da população que possui contas em bancos para a retomada das atividades econômicas no período pós-pandemia.

Abaixo os principais resultados do segundo levantamento:

Papel das Mulheres nas famílias

Na administração do orçamento doméstico, as mulheres dominam: 56% das entrevistadas declararam assumir essa função, contra 44% dos homens. Chama atenção a equivalência entre homens (47%) e mulheres (45%) em relação ao gerenciamento da poupança e investimentos da família. Além do papel de gestoras do orçamento e da poupança familiares, as mulheres absorveram, na sua maior parte, o aumento da carga de trabalho doméstico em meio à pandemia.

Famílias fortalecidas

Considerando que 88% dos entrevistados afirmam ter cumprido o isolamento social durante algum tempo, o levantamento mostra que em 71% dos lares brasileiros não houve aumento de brigas, discussões e conflitos familiares. Em 8% deles as brigas até diminuíram e em apenas 13% aumentaram.

Houve aumento ou manutenção da satisfação com a moradia após a experiência de passar mais tempo em casa. Mesmo em confinamento, quase 90% dos entrevistados aumentaram (31%) ou mantiveram (56%) a satisfação com seus lares no mesmo patamar de antes da Covid-19.

Crianças e adolescentes mais preparados

O Observatório Febraban revela ainda que as crianças e adolescentes são os que melhor estão conseguindo lidar com a pandemia – adultos (26%) e idosos (24%) estão tendo maior dificuldade de enfrentar os efeitos cotidianos da pandemia, enquanto 16% dizem ser as crianças e 11% os adolescentes. Para 13%, todos os membros da família estão conseguindo atravessar a pandemia sem maiores dificuldades de ordem emocional.

Mais atenção à saúde e à solidariedade pós pandemia

O estudo revela ainda que a expectativa dos chefes de família sobre a vida após a pandemia está profundamente marcada pela ideia de mudança. Mais da metade preveem que os hábitos de suas famílias não serão os mesmos quanto à: forma de estudar (60%); de trabalhar (57%); e ao modo de fazer compras (55%).

No mundo pós-pandemia, a grande maioria dos entrevistados acredita que suas famílias irão dedicar maior atenção à saúde (67%) enquanto 29% dizem que esse cuidado continuará do mesmo jeito de antes. Investir mais tempo em ações de solidariedade com os mais carentes (48%) é outra tendência de comportamento e para 45% ficará igual. A prática de exercícios físicos também ganhará força entre os hábitos (42%), permanecendo o mesmo para 46%.

Alerta para novas formas de trabalho

Sobre o trabalho, empresários e autônomos têm elevada expectativa de digitalização no trabalho e estudo (ambos 59%), ao passo que apenas 35% dos desempregados esperam isso. Esse último dado sugere um alerta: os desempregados estarão menos preparados para os desafios e mudanças do mercado de trabalho no mundo pós-pandemia.

Como reconhecem que a digitalização dos serviços educacionais é um fato inescapável, 35% expressam a pretensão de fazer (ou outras pessoas da família) cursos online. Os mais jovens (46%), os de instrução Superior (40%) e os homens (39%) se mostram os mais predispostos a investir na qualificação por via digital.

Estudo online agrada, mas preocupa

O nível de satisfação dos entrevistados que fazem aulas online ou estão acompanhando familiares nessa jornada encontra-se dividido: 47% estão satisfeitos contra 46% de insatisfeitos. Mas, a despeito da razoável satisfação com as aulas online, como é uma atividade nova para as escolas e para as famílias, um expressivo percentual de 83% teme prejuízos de aprendizagem para os estudantes.

A vida vai melhorar

A pesquisa anterior do Observatório Febraban já havia registrado com surpresa a expectativa elevada (45%) dos entrevistados de dedicarem mais tempo aos filhos e à família após a fase de isolamento. A nova pesquisa comprova que a maioria das famílias tem esperança na recuperação: 60% dos entrevistados acreditam que a vida das suas famílias vai melhorar (25%) ou pelo menos voltar à situação pré-pandemia (36%). Um terço espera dias mais difíceis (para 32% a vida vai piorar).

Como atestado no levantamento de junho, em relação ao futuro, a expectativa predominante é a de manutenção dos gastos no patamar anterior à pandemia (53%) ou até de aumento dos mesmos (27%). Apenas 17% preveem cortes no orçamento familiar. Os mais jovens (18 a 24 anos) manifestam a mais elevada expectativa de aumento de despesas (47%).

Segundo os dados levantados, a alimentação será priorizada nas despesas das famílias (37%), seguida das contas de serviços básicos, como energia, água e gás (15%).

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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