Indústria que produz plásticos biodegradáveis escolhe Curitiba como sede e já prevê novos investimentos no Paraná
A primeira indústria do Brasil que produz plásticos a partir de polímeros, biodegradáveis, e que se desintegram em até seis meses, escolheu Curitiba para ser sua sede. A Earth Renewable Technologies, mais conhecida como ERT, tem como missão pioneira fazer do plástico uma solução viável para marcas interessadas em substituir suas embalagens plásticas tradicionais, por outros recipientes plásticos para qualquer uso e em qualquer formato, mas tendo em comum o fato de serem biodegradáveis e compostáveis.
Eu conversei com o CEO da ERT, Kim Gurtensten Fabri (foto), e ele me disse que a indústria tem um projeto ambicioso para o Paraná, que contempla a instalação de novas fábricas no Estado até 2025. O executivo não me informou o valor do investimento na unidade de Curitiba, mas me adiantou que até 2023, serão destinados mais de US$ 5 milhões.
Bioplásticos
O executivo me contou que o novo processo para a produção de plásticos começou há 11 anos, quando a ERT desenvolveu em conjunto com a Clemsom University na Carolina do Sul, uma fibra que foi patenteada como a primeira tecnologia capaz de modificar a performance de biopolímeros e entregar aplicações antes desconhecidas para estes materiais. Isso se dá pelo uso de bioplásticos, que são produtos de base biológica, derivados de plantas e outros materiais renováveis agrícolas, marinhos e florestais. Na prática, a solução da ERT permite criar e customizar os mais variados tipos de recipientes, para diversos formatos de indústria, tornando-os efetivamente funcionais.
“Isso é possível com a aplicação do nosso biopolímero, feito com base biológica a partir de materiais renováveis, que atende as normas técnicas e apresenta a mesma performance, mas com menor impacto ambiental. Nossa solução empodera as empresas e as conduz em direção aos conceitos mais concretos de economia circular, reduzindo suas pegadas de carbono, diminuindo a dependência de plásticos de origem fóssil, focando no desperdício zero e reduzindo o descarte de lixo plástico não degradável na natureza”, pontua Kim Fabris
Desafios
Estrategicamente instalada em Curitiba, por ser a capital referência nacional no trinômio ecologia, reciclagem e sustentabilidade, a ERT tem pela frente alguns desafios. O primeiro é aliviar o fator custo. O segundo é vencer a barreira dos “oxibiodegradáveis”, que levam aditivo no plástico convencional e se fragmentam, contaminando o solo e o meio ambiente em geral. Por fim, promover uma disruptura no setor industrial nacional e emplacar de vez a sustentabilidade no meio corporativo, que ainda utiliza poucas soluções biodegradáveis em suas linhas de produção.
Kim Fabris me contou que um dos objetivos da fábrica americana vir para o Paraná é diminuir o preço do plástico biodegradável, que custa duas vezes mais do que o plástico comum. O executivo também me disse que a companhia não recebeu nenhum incentivo fiscal do governo, mas vê com bons olhos os negócios no mercado brasileiro e pretende fechar boas parcerias daqui para frente.


