Comércio do Paraná começa a sentir os reflexos da crise
Pesquisa Conjuntural da Federação do Comércio do Paraná, divulgada nesta segunda-feira (15) relativa ao mês de outubro passado, já mostra as conseqá¼ências da crise mundial nas vendas do setor. A queda, no Estado, foi de -6,46% na comparação com o mesmo mês do ano passado e de -1,37% comparado a setembro. Mesmo assim, o acumulado do ano se mantém positivo, em 4,38%. Nem mesmo o Dia das Crianças, um grande incentivador de vendas, conseguiu estimular os consumidores.
Na região metropolitana de Curitiba as vendas – sempre comparadas a outubro do ano passado -, foram menores em -9,59%. Londrina teve queda de -6,12%; Maringá -6,34%; Região Oeste – 0,65%; Foz do Iguaçu queda de -4,35%; Ponta Grossa, -0,99%.
Segundo o coordenador da Pesquisa na Fecomércio, Vamberto Santana, o impacto maior ficou concentrado nas concessionárias de veículos, que vinham apresentando números excelentes de desempenho em vendas. Autopeças e acessórios, móveis e decorações e utilidades domésticas e lojas de departamentos, também sentiram a retração do consumo.
Até setembro alguns fatores explicavam o bom desempenho como o aumento nos financiamentos habitacionais e expansão dos imóveis comerciais e shoppings; crescimento na venda de veículos automotores em geral; expansão do agronegócio e aumento da safra de 2008, apesar da queda do preço das commodities no mercado externo; cá¢mbio favorecido ao real e o crescimento do emprego formal, proporcionando aumento da massa salarial na economia.
A partir de outubro, a crise econômica tornou mais agudo problemas que já estavam sendo verificados no Estado, como o comprometimento de parcela da renda do consumidor com aquisições e financiamentos anteriores. Outros fatores que explicam o medo do consumidor estão relacionados com a elevação da taxa de juros, valorização do dólar, desempenho negativo da Bovespa, que gerou impacto restritivo sobre diversas atividades; receio quanto á manutenção do emprego e redução da demanda externa, que influenciou negativamente nas empresas exportadorasâ€, informa o economista da Fecomércio.
Os ramos do varejo paranaense com maiores percentuais de crescimento nas vendas nesses dez meses, sobre igual peíodo de 2007, foram concessionárias de veículos, que tinham o estímulo de créditos, prazos, inovações e disponibilização de novas linhas de produtos; material de construção, com maior financiamento de imóveis associado a um extenso leque de oferta, maior emprego e melhoria na renda; supermercados, diante da maior massa de salários e a melhoria de renda das classes C e D e autopeças, devido ao crescente mercado de carros usados gerando uma demanda adicional nesse segmento. A partir de outubro, as vendas desses ramos sinalizam queda devido á s restrições sobre a economia.
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