Famílias retornam á direção das empresas
A hora de passar o bastão†da empresa para uma administração profissional não é uma tarefa fácil. Escolher entre um membro da família ou de fora dela e a data para a transição requer muito estudo e práticas de governança corporativa. Agora imaginem então, a dificuldade que é depois de ter passado por esse processo reassumir a administração da empresa.
Com a crise econômica, muitas famílias estão reassumindo a gestão. A família Schincariol, por exemplo, voltou a comandar o dia-a-dia da cervejaria, depois de anos fora do comando. Mas, a Schincariol não é a primeira empresa cujo acionista decidiu retomar suas funções executivas após o agravamento da crise. Recentemente, o empresário Abílio Diniz também reassumiu o comando do grupo Pão de Açúcar. Ainda em nível nacional, comportamento semelhante aconteceu com a Sadia e W. Torre.
No Paraná ainda não verificamos nenhum caso de empresário que depois de profissionalizar a direção da empresa tenha retomado o controle do negócio. Entretanto, segundo algumas fontes de informaram, o empresário Salomão Soifer, que está á frente da Soifer Participações, que comanda os Shopping Mueller e São José, e é sócio do Mueller de Joinville, do Rio Sul, no Rio de Janeiro, do Natal Shopping, no Rio Grande do Norte, e do Pátio Batel, em Curitiba, que está em construção, estava pensando em passar seu cargo para membros da família, que por sinal já atuam no grupo. Entretanto, sem conhecer os reflexos da crise, resolveu permanecer na presidência do grupo.
A profissionalização verificada nos últimos anos no Paraná foi utilizada como uma forma de vender a empresa. Isso aconteceu com a Leão Júnior e com a Companhia Providência. Ou então para abrir o capital, como os casos da Bematech e Positivo Informática. Já na Barion, a família foi para o Conselho e profissionalizou a gestão.
Eu conversei com o diretor regional do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, o advogado Marcelo Bertoldi (foto), e ele me disse que a profissionalização, ou a troca da família por profissionais no comando da empresa deve ser encarada como um fato normal, á medida que os negócios vão crescendo. Para ele, a profissionalização é uma boa alternativa, desde, é claro, que se façam as escolhas corretas.
Já em tempos de crise, Bertoldi aponta duas soluções: ou a família volta ao comando, ou então muda o executivo, alterando o perfil do profissional. Mesmo nestes casos, isso não significa que a profissionalização não seja um bom remédio a ser utilizado.


