Recuperação Judicial: empresas curitibanas na contramão do mercado brasileiro
A escassez do crédito e a conseqá¼ente retração das vendas estão fazendo com que muitas empresas brasileiras recorram á recuperação judicial, ou á antiga concordata, como forma de manter suas atividades. Só para se ter uma idéia, em janeiro, em todo o País, 48 empresas ingressaram na Justiça com pedido de recuperação judicial, ou que representou mais de dois pedidos por dia útil.
Na contramão do mercado brasileiro, as empresas de Curitiba estão se segurando o máximo que podem para não recorrerem ao remédio da recuperação judicial. Eu fiz um levantamento junto á s quatro Varas da Fazenda Pública, Falências e Concordatas e verifiquei que apenas um pedido de recuperação foi distribuído em Juízo no primeiro mês do ano.
A justificativa, segundo me explicou o economista Luiz Afonso Cerqueira, é que além do empresário curitibano ser mais conservador, buscando uma negociação antes de tomar uma solução mais drástica, alguns bancos e empresas de factoring estão dando vazão á retração de crédito.
Também os pedidos de falência estão em queda em Curitiba. Em janeiro, apenas três falências contra empresas curitibanas foram requeridas. Durante todo o ano de 2008, 37 ações falimentares ingressaram em Juízo, o que representou uma redução de 48% sobre os números de 2007.Â
A razão principal para que os pedidos de falência despencassem é a nova lei que está em vigor há quatro anos. Agora para pedir a falência de uma empresa, a dívida deve ser superior a 40 salários mínimos, ou seja, acima de R$ 18.600. Antes da lei, qualquer credor, independentemente do motivo da cobrança ser de R$ 10 ou de R$ 10 milhões, podia requerer uma falência.
Outra caracteística nos dias atuais é a negociação de dívidas. O economista Luiz Afonso Cerqueira me contou que os devedores estão se negando a aceitar a aplicação do IGP-M na correção das dívidas, bem como estão barganhando a redução dos juros contratados, comissão de permanência e juros de mora. Para receber, muitas instituições financeiras acabam cedendo.








